O judaísmo hassídico é um movimento dentro do judaísmo ortodoxo. Os judeus hassídicos seguem a Torá, guardam o sábado e procuram viver de acordo com as tradições religiosas judaicas. O que mais distingue o hassidismo é a importância que ele dá à oração feita com alegria, à vida em comunidade e aos ensinamentos de seus líderes espirituais.
O movimento começou no século 18, no leste da Europa, a partir dos ensinamentos de Israel ben Eliezer, conhecido como *Baal Shem Tov*. Ele ensinava que a pessoa podia servir a Deus não só pelo estudo, mas também pela oração sincera e pela maneira como vivia todos os dias. Esse ensino ganhou força entre judeus que desejavam uma vida religiosa mais próxima e participativa. A palavra *hassídico* está ligada a uma palavra hebraica que transmite a ideia de alguém piedoso, dedicado a Deus.
No que eles acreditam? Como outros judeus ortodoxos, os hassídicos creem no Deus de Israel e consideram a Torá essencial pra sua vida. Também seguem muitas orientações da tradição rabínica sobre oração, alimentação, família e descanso no sábado. O hassidismo dá atenção especial à intenção com que a pessoa faz essas coisas: não basta cumprir uma prática religiosa por costume; ela deve procurar servir a Deus de coração.
Muitas comunidades se organizam em torno de um *rebbe*, um líder espiritual que ensina e aconselha seus seguidores. Há também influência da mística judaica em muitos ensinamentos hassídicos. Isso não quer dizer que todas as comunidades sejam iguais. Existem vários grupos, com costumes e ênfases próprios.
As roupas de alguns judeus hassídicos — como ternos escuros, barbas e certos tipos de chapéu — podem chamar a atenção, mas variam conforme o grupo e a ocasião. Elas fazem parte de costumes comunitários; não são a melhor maneira de resumir aquilo em que essas pessoas creem. Também seria incorreto dizer que todos pensam da mesma forma sobre o atual Estado de Israel. Há grupos hassídicos com posições diferentes sobre esse assunto.
Pra quem lê a Bíblia como cristão, a diferença mais importante está na identidade de Jesus. Os judeus hassídicos não o reconhecem como o Messias. Já o Novo Testamento apresenta Jesus como o Messias prometido a Israel e como aquele por meio de quem Deus oferece salvação (João 20:30-31; Atos 4:10-12). Essa é uma discordância religiosa profunda, mas não impede que os cristãos falem dos judeus hassídicos com respeito, sem reduzir uma comunidade diversa a uma única aparência ou opinião.