Judá não foi conquistada de uma vez só. Primeiro, passou a obedecer à Babilônia e a pagar tributos. Depois, Jerusalém foi cercada, seu rei foi levado prisioneiro e outro rei foi colocado no lugar dele. Por fim, após uma nova revolta, os babilônios destruíram a cidade e o templo. Isso aconteceu em etapas, entre cerca de 605 e 586 a.C.
Naquele tempo, Judá era o reino do povo judeu, com Jerusalém como capital. Em 605 a.C., a Babilônia se tornou a grande potência da região. O rei de Judá, Jeoaquim, ficou sujeito a Nabucodonosor, rei da Babilônia, mas depois se rebelou. Segundo 2 Reis 24:1, ele havia servido ao rei babilônio por três anos antes dessa revolta. O livro de Daniel também situa nesse período a ida de Daniel e de outros jovens para a Babilônia (Daniel 1:1-6). A Bíblia, porém, não diz que eles foram levados *depois* da rebelião de Jeoaquim; é melhor não juntar esses acontecimentos como se fossem um único episódio.
A próxima etapa decisiva veio em 597 a.C. Jeoaquim já havia morrido, e seu filho Joaquim estava no trono havia apenas três meses quando os babilônios cercaram Jerusalém. Ele se entregou. Nabucodonosor levou Joaquim, pessoas importantes do reino, soldados e trabalhadores especializados para a Babilônia. Também retirou riquezas do palácio e do templo (2 Reis 24:8-16). O profeta Ezequiel estava entre os exilados levados nessa época, conforme a indicação de Ezequiel 1:1-3.
Jerusalém ainda não tinha sido destruída. Nabucodonosor colocou Zedequias no trono, e Judá continuou existindo, mas sob o domínio babilônico. Zedequias também se rebelou. Então o exército da Babilônia voltou e manteve Jerusalém cercada até que a fome se tornou grave dentro da cidade. As defesas foram rompidas, Zedequias foi capturado e mais pessoas foram levadas para o exílio (2 Reis 25:1-7).
Foi nessa última campanha, geralmente datada de 586 a.C., que Jerusalém sofreu sua maior destruição. Os babilônios queimaram o templo e o palácio, derrubaram os muros da cidade e deportaram boa parte da população que restava. Deixaram algumas pessoas pobres na terra para trabalhar no campo (2 Reis 25:8-12). É por isso que 586 a.C. costuma ser apontado como o ano da queda de Judá, embora sua submissão à Babilônia tivesse começado décadas antes.
Depois disso, os babilônios nomearam Gedalias governador dos que permaneceram na região. Ele foi assassinado, e parte do povo fugiu para o Egito por medo de represálias (2 Reis 25:22-26). Jeremias acabou sendo levado com esse grupo, apesar de não querer ir (Jeremias 43:4-7).
Os profetas haviam avisado que a persistente desobediência de Judá a Deus traria esse juízo (Jeremias 25:8-11). Mas o exílio não seria o fim da história do povo. Jeremias falou de um período de setenta anos ligado ao domínio babilônico e anunciou que Deus permitiria o retorno (Jeremias 25:11-12; 29:10). Mais tarde, judeus de fato voltaram a Jerusalém e começaram a reconstruí-la, como conta o livro de Esdras.
Assim, a resposta curta é: Judá começou a ficar sob o poder da Babilônia por volta de 605 a.C.; Jerusalém se rendeu e sofreu uma grande deportação em 597 a.C.; e, depois de outra revolta, a cidade e o templo foram destruídos em 586 a.C.