Pastor Antônio Junior

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O que é o Jubileu católico? É o mesmo Jubileu da Bíblia?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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O Jubileu católico é um período especial de oração, arrependimento e peregrinação proclamado pela Igreja Católica. Durante esse período, ela também oferece aos fiéis oportunidades de receber indulgências. O nome vem do Jubileu que Deus ordenou a Israel no Antigo Testamento, mas as duas práticas não são a mesma coisa.

Em Levítico 25, Deus mandou que Israel celebrasse um Jubileu depois de sete períodos de sete anos. Nesse ano, pessoas que haviam se vendido como servas por causa da pobreza deveriam ser libertas, e terras que tinham passado para outras mãos deveriam voltar às famílias às quais pertenciam. Isso protegia as famílias israelitas de perderem para sempre sua terra e sua liberdade. Não era, porém, uma ordem pra realizar peregrinações ou conceder indulgências. A remissão de dívidas, muitas vezes associada ao Jubileu, aparece de modo mais direto nas instruções sobre o sétimo ano, em Deuteronômio 15.

O Jubileu católico surgiu muitos séculos depois. O primeiro foi proclamado em 1300, e hoje os jubileus ordinários acontecem, em geral, a cada 25 anos. O de 2025, por exemplo, teve como tema “Peregrinos da Esperança”. Participar de celebrações, visitar lugares designados, orar e praticar a caridade estavam entre as atividades incentivadas naquele período.

A parte que mais costuma causar dúvida é a indulgência. No ensino católico, ela não é a compra do perdão nem substitui o arrependimento. A Igreja Católica ensina que, mesmo depois de a culpa de um pecado ter sido perdoada, ainda pode restar uma consequência espiritual a ser tratada, chamada de “pena temporal”. A indulgência seria a remissão dessa pena, sob condições estabelecidas pela Igreja. Esse ensino está ligado também à crença católica no purgatório e na autoridade da Igreja para conceder indulgências.

É justamente aí que aparece a diferença teológica mais importante. Cristãos evangélicos concordam que oração, arrependimento e cuidado com os necessitados são coisas boas e bíblicas. Mas não entendem que a Bíblia dê à Igreja autoridade para conceder indulgências ou ensine que o cristão precise passar pelo purgatório para completar o que falta depois do perdão. O Novo Testamento apresenta Jesus como aquele que nos reconcilia com Deus por meio de seu sacrifício e ensina que somos salvos pela graça, mediante a fé, não pelas obras que praticamos (Hebreus 10:14; Efésios 2:8-10; 1 Timóteo 2:5). Boas obras fazem parte da vida de quem segue a Cristo; não são um meio de completar o perdão que ele conquistou.

Portanto, o Jubileu católico toma emprestado o nome de uma antiga celebração de Israel e pode incentivar práticas valiosas, como a oração e a caridade. Mas seu sistema de indulgências não faz parte do Jubileu ordenado em Levítico e é um ponto de divergência entre a doutrina católica e a compreensão evangélica do evangelho.