Porque ele parecia ser um lugar de adoração construído contra a ordem de Deus. Mas, depois de conversarem, os israelitas descobriram que aquele altar tinha outra finalidade: lembrar que as tribos dos dois lados do rio Jordão pertenciam ao mesmo povo e adoravam o mesmo Senhor.
A história começa quando a conquista de Canaã já estava avançada. Rúben, Gade e metade da tribo de Manassés tinham recebido suas terras a leste do Jordão. Depois de ajudarem as outras tribos nas batalhas, receberam de Josué permissão pra voltar pra casa. No caminho, construíram um altar grande, perto do rio (Josué 22:1-10).
As tribos que viviam a oeste ficaram alarmadas. Deus havia dado a Israel um lugar estabelecido pra oferecer sacrifícios, e o tabernáculo estava em Siló (Deuteronômio 12:5-14; Josué 18:1). Se aquele novo altar fosse usado pra sacrifícios, poderia significar que parte do povo estava abandonando a adoração que Deus tinha ordenado. Por isso, as outras tribos chegaram a se preparar pra guerra.
A preocupação não era pequena. Os israelitas conheciam casos em que o pecado de alguns tinha trazido consequências pra muitos, como aconteceu em Peor e no caso de Acã (Josué 22:17-20). Ainda assim, antes de atacar, enviaram uma delegação liderada pelo sacerdote Fineias pra ouvir uma explicação.
Foi essa conversa que evitou a tragédia. As tribos do leste disseram que não tinham construído o altar pra oferecer sacrifícios. Elas temiam que, no futuro, seus descendentes fossem tratados como estrangeiros pelos parentes do outro lado do Jordão. Afinal, o rio separava as terras das duas partes. O altar serviria como testemunha visível de que todos tinham parte na adoração ao Senhor (Josué 22:24-29).
Quando Fineias e os outros líderes entenderam a intenção delas, aceitaram a explicação e desistiram da guerra. A importância do altar, portanto, está justamente nessa diferença entre o que ele *parecia ser* e o que de fato *era*. Se fosse um novo lugar de sacrifícios, seria motivo de séria preocupação. Como memorial, servia pra afirmar a união do povo de Deus.
Josué 22 também mostra duas atitudes que precisam andar juntas: levar a obediência a Deus a sério e ouvir os fatos antes de condenar alguém. As tribos do oeste não ignoraram um possível erro; as do leste tiveram a oportunidade de explicar o que haviam feito. Assim, uma suspeita que quase dividiu Israel terminou com o povo em paz.