José era um dos doze filhos de Jacó. Seu pai demonstrava gostar mais dele do que dos outros e lhe deu uma roupa especial. Os irmãos percebiam essa diferença e passaram a odiá-lo. A situação piorou quando José contou sonhos que indicavam que, um dia, seus irmãos se curvariam diante dele. Eles não aceitaram a ideia de que José pudesse ter uma posição acima da deles (Gênesis 37:3-11).
Certo dia, Jacó mandou José procurar os irmãos, que estavam longe de casa cuidando dos rebanhos. Quando o viram chegando, eles decidiram se livrar dele. Primeiro, jogaram José numa cisterna vazia. Depois, venderam o irmão a comerciantes que iam para o Egito. Pra esconder o que tinham feito, mancharam a roupa de José com sangue de um animal e a levaram ao pai. Jacó concluiu que José havia sido morto por um animal selvagem e ficou profundamente entristecido (Gênesis 37:12-35).
No Egito, José foi vendido como escravo a Potifar, um oficial do faraó. Mesmo naquela situação, ele trabalhou bem e ganhou a confiança do seu senhor. Mas a esposa de Potifar fez uma falsa acusação contra José, e ele acabou na prisão. Ali, José interpretou os sonhos de dois funcionários do faraó. Tempos depois, o próprio faraó teve sonhos que ninguém conseguia explicar. Um daqueles funcionários se lembrou de José, e ele foi chamado da prisão (Gênesis 39–41).
José explicou que os sonhos anunciavam sete anos de colheitas abundantes, seguidos por sete anos de fome. Ele aconselhou o faraó a guardar alimentos durante os anos bons. O faraó aceitou o conselho e colocou José no comando desse trabalho. Foi assim que aquele escravo levado à força para o Egito passou a ocupar uma posição de grande autoridade no país (Gênesis 41:25-46).
Quando a fome chegou, atingiu também a terra onde viviam Jacó e seus filhos. Os irmãos de José viajaram ao Egito pra comprar comida. Eles não o reconheceram, mas José os reconheceu. Ao vê-los se curvarem diante dele, José viu acontecer aquilo que seus sonhos, tantos anos antes, tinham indicado (Gênesis 42:1-9).
José não revelou logo quem era. Ao longo de duas viagens, ele tratou os irmãos com firmeza e criou situações que mostraram como eles reagiriam diante do perigo. Isso importa porque Benjamin, o irmão mais novo, também era muito amado por Jacó. No momento decisivo, quando Benjamin corria o risco de ficar preso no Egito, Judá se ofereceu pra ficar no lugar dele. Em vez de abandonar outro irmão e causar mais sofrimento ao pai, ele se dispôs a sofrer por Benjamin (Gênesis 44).
Então José não conseguiu mais se conter. Contou aos irmãos quem era e chorou diante deles. Eles ficaram assustados, com razão: tinham vendido José como escravo, e agora ele tinha poder sobre suas vidas. Mas José não quis se vingar. Mandou buscar Jacó e toda a família pra morarem no Egito, onde haveria alimento durante o restante da fome (Gênesis 45–47).
Anos depois, quando Jacó morreu, os irmãos voltaram a temer que José se vingasse. José, porém, deixou claro que não pretendia fazer isso. Ele não negou a maldade do que tinham feito: eles haviam planejado o mal contra ele. Ao mesmo tempo, reconheceu que Deus havia conduzido os acontecimentos de modo que muitas pessoas fossem preservadas da fome (Gênesis 50:15-21).
Essa é a parte mais importante da história. O mal cometido pelos irmãos não deixou de ser mal. Mas Deus não permitiu que a crueldade deles tivesse a última palavra. José sofreu de verdade, e o reencontro não apagou o passado. Ainda assim, ele escolheu não devolver o mal que recebeu. A história mostra como Deus cuidou daquela família em meio a decisões humanas terríveis e como o perdão tornou possível que os irmãos voltassem a viver juntos.