Jonas tentou ir para Társis porque não queria cumprir a missão que Deus lhe deu em Nínive. Deus havia mandado que ele anunciasse o julgamento contra a maldade daquela cidade (Jonas 1:1-2). Em vez disso, Jonas foi ao porto de Jope e embarcou num navio que seguia para Társis (Jonas 1:3).
A escolha do destino ajuda a entender sua atitude. Nínive ficava na Assíria, a leste de Israel. Társis era um destino marítimo distante, associado ao oeste. Não sabemos com certeza onde ficava, mas o sentido da viagem é claro: Jonas estava indo para longe da cidade à qual Deus o enviara.
O próprio Jonas explica mais tarde por que não queria pregar ali. Ele sabia que Deus é misericordioso e que poderia poupar Nínive se seus moradores abandonassem o mal (Jonas 4:2). Era justamente isso que Jonas não queria. Quando os ninivitas se arrependeram e Deus não destruiu a cidade, Jonas ficou muito contrariado (Jonas 3:10–4:1).
Isso torna a história mais surpreendente. Jonas não fugiu por achar que sua pregação seria inútil. Ele fugiu porque sabia que Deus poderia ouvi-los e ter misericórdia deles. Nínive pertencia à Assíria, uma potência que ameaçava Israel, e Jonas não queria ver aquela cidade poupada.
Ao dizer que Jonas tentou fugir da presença do Senhor, o livro não quer dizer que ele conseguiria sair de um lugar onde Deus pudesse vê-lo. Jonas tentou escapar da tarefa que Deus lhe havia confiado. Deus o alcançou durante a viagem e, depois, lhe deu outra oportunidade de ir a Nínive (Jonas 1–3).
Assim, a viagem para Társis revela o conflito central da história: Jonas aceitava a misericórdia de Deus, mas resistia à ideia de que ela também pudesse alcançar pessoas que ele não queria ver perdoadas.