Pode. A Bíblia não proíbe o cristão de usar uma cruz ou um crucifixo como joia. Também não manda que ele use. Por isso, a pergunta mais importante não é se a peça está no pescoço, mas o que ela significa pra quem a usa e como essa pessoa se relaciona com ela.
Uma cruz pode lembrar a morte de Jesus e o que ele fez por nós. O Novo Testamento dá grande importância a isso: Cristo morreu pelos nossos pecados e ressuscitou (1 Coríntios 15:3-4). Mas a joia não transmite a salvação, não protege quem a usa e não torna ninguém mais próximo de Deus. É em Jesus que colocamos a fé, não num objeto.
É aí que vale prestar atenção ao coração. Se alguém usa a cruz como um lembrete de Cristo, não há motivo bíblico pra dizer que está pecando por isso. Se passa a confiar na peça como se ela tivesse poder espiritual, precisa corrigir essa confiança. A Bíblia nos chama a fugir da idolatria (1 Coríntios 10:14). E, se a preocupação principal é parecer religioso diante dos outros, convém lembrar que a aparência não substitui uma vida de fé. Em 1 Pedro 3:3-4, a ênfase está no valor da pessoa interior, não na proibição de toda joia.
Quanto ao crucifixo, que mostra Jesus na cruz, alguns cristãos o usam pra lembrar seu sofrimento e sacrifício. Outros preferem uma cruz sem a figura de Jesus, por destacarem que ele ressuscitou ou por terem reservas quanto ao uso de imagens religiosas. É uma diferença que merece respeito. A Bíblia afirma com clareza tanto a morte quanto a ressurreição de Jesus; ela não estabelece qual dessas peças um cristão deve usar.
Também é bom ter consideração pelas pessoas ao redor. Romanos 14 ensina que, em assuntos nos quais cristãos podem agir de maneiras diferentes, não devemos desprezar nem condenar uns aos outros. E, se numa situação concreta nossa escolha puder levar alguém a agir contra a própria consciência, o amor deve pesar mais que a vontade de usar uma joia (Romanos 14:13; 1 Coríntios 8:9). Isso não significa que qualquer pessoa que não goste da peça possa decidir por todos.
Então, um cristão pode usar uma cruz ou um crucifixo com a consciência tranquila diante de Deus. Pode também escolher não usar. O essencial é não confiar no objeto nem fazer dele uma medida da fé dos outros. O que nos identifica como seguidores de Jesus é a fé nele, vivida em amor e obediência — não aquilo que penduramos no pescoço.