Não. Jesus contrariou regras que alguns líderes religiosos haviam criado sobre o sábado, mas não desobedeceu à lei de Deus. A diferença é importante, porque as curas aconteceram justamente num dia em que os israelitas tinham sido orientados a descansar.
Deus havia separado o sábado como dia de descanso pro povo de Israel (Êxodo 20:8-11). Na época de Jesus, porém, alguns líderes religiosos entendiam que certas ações — entre elas, curar alguém que não estivesse em perigo imediato — não deveriam ser feitas nesse dia. Por isso, quando Jesus curou um homem com a mão atrofiada, procuraram um motivo pra acusá-lo (Marcos 3:1-6).
Jesus não tratou a pergunta como algo sem importância. Ele perguntou se, no sábado, era certo fazer o bem ou fazer o mal, salvar uma vida ou deixá-la morrer. Depois, curou o homem. Em outra ocasião, lembrou que aquelas mesmas pessoas ajudariam uma ovelha que caísse numa cova no sábado. Se era aceitável socorrer um animal, quanto mais fazer o bem a uma pessoa (Mateus 12:9-12). O descanso ordenado por Deus não era uma proibição de agir com misericórdia.
Houve também uma discussão quando os discípulos colheram algumas espigas pra comer enquanto caminhavam. Os fariseus consideraram aquilo uma violação do sábado. Jesus respondeu que o sábado havia sido feito para o bem das pessoas, não para transformá-las em servas de regras que as impedissem até de atender a uma necessidade simples (Marcos 2:23-28).
Isso não quer dizer que Jesus desprezava a Lei. Ele disse que não tinha vindo revogá-la, mas cumpri-la (Mateus 5:17). Ao chamar a si mesmo de “Senhor do sábado”, afirmou sua autoridade pra mostrar o verdadeiro sentido daquele dia (Marcos 2:28).
Portanto, as acusações contra Jesus eram reais, mas a acusação não prova que ele pecou. Jesus mostrou, por suas palavras e ações, que guardar o sábado como Deus queria não exigia deixar de ajudar quem precisava.