Nas horas antes de morrer, Jesus comeu com seus discípulos, orou no Getsêmani, foi preso, interrogado, condenado e crucificado. Os Evangelhos contam esses acontecimentos em partes diferentes. Juntos, eles mostram não só o sofrimento que Jesus enfrentou, mas também a decisão dele de seguir a vontade do Pai até o fim.
Na noite anterior à crucificação, Jesus se reuniu com os discípulos pra uma última refeição. Ele lavou os pés deles, uma tarefa normalmente feita por um servo. Depois, avisou que um dos que estavam à mesa o trairia. Era Judas. Durante a refeição, Jesus também deu ao pão e ao vinho um significado ligado à sua morte: seu corpo seria entregue, e seu sangue seria derramado. Foi daí que veio a prática cristã da Ceia do Senhor (João 13:1-30; Mateus 26:26-29; 1 Coríntios 11:23-26).
Mais tarde, Jesus foi com os discípulos ao Getsêmani. Ali, pediu que Pedro, Tiago e João ficassem acordados e orassem, mas eles adormeceram. Jesus estava profundamente angustiado. Ele orou ao Pai pedindo que, se fosse possível, aquele sofrimento fosse afastado; ainda assim, deixou claro que queria fazer a vontade do Pai. Lucas diz que sua angústia era tão intensa que seu suor se tornou como gotas de sangue. O texto faz uma comparação, não afirma necessariamente que ele suou sangue (Mateus 26:36-46; Lucas 22:39-46).
Jesus sabia que seria morto. Ele também havia ensinado que entregaria a vida pelos pecadores. Por isso, sua oração no jardim não deve ser entendida apenas como medo da dor física, embora essa dor fosse terrível. Ao mesmo tempo, os Evangelhos não explicam em todos os detalhes o que ele sentia naquele momento. O que eles deixam claro é que Jesus enfrentou a angústia sem abandonar sua decisão de obedecer ao Pai (Marcos 10:45; Lucas 22:42).
Então Judas chegou com um grupo armado e identificou Jesus com um beijo. Jesus foi preso, enquanto os discípulos fugiram. Pedro tentou segui-lo, mas naquela mesma noite negou três vezes que o conhecia, como Jesus havia previsto (Mateus 26:47-56, 69-75).
Jesus foi levado primeiro às autoridades religiosas judaicas. Elas o questionaram e o acusaram, mas não tinham autoridade pra executar a sentença de crucificação. Por isso, levaram-no ao governador romano, Pôncio Pilatos. Lucas conta que Pilatos também o enviou a Herodes, que estava em Jerusalém, antes de recebê-lo de volta. Embora Pilatos não encontrasse nele motivo pra uma condenação à morte, acabou cedendo à pressão e ordenou que fosse crucificado (João 18:12-24; Lucas 23:1-25).
Antes da crucificação, Jesus foi açoitado e ridicularizado pelos soldados. Puseram nele uma coroa de espinhos e o trataram como um falso rei. No lugar chamado Gólgota, pregaram-no numa cruz entre dois criminosos. Ali, ele sofreu enquanto pessoas zombavam dele. Os soldados dividiram suas roupas, e João conta que sua mãe estava perto da cruz (Mateus 27:27-44; João 19:23-27).
Mesmo naquele momento, Jesus se preocupou com outras pessoas. Pediu ao Pai perdão por aqueles que o crucificavam, prometeu ao criminoso que se voltou pra ele que estaria com ele no paraíso e confiou sua mãe aos cuidados do discípulo João. Os Evangelhos também registram seu clamor ao Pai em meio ao sofrimento e, por fim, sua morte. Quando os soldados foram quebrar as pernas dos crucificados pra apressar a morte deles, viram que Jesus já havia morrido (Lucas 23:32-46; João 19:25-33).
Tudo aconteceu em menos de um dia. Jesus passou da mesa com seus discípulos à oração solitária, da prisão à condenação e, então, à cruz. Mas os Evangelhos não apresentam sua morte como um acidente fora de seu controle: Jesus sabia o que vinha pela frente e, mesmo podendo recuar, foi até o fim. Segundo o Novo Testamento, ele fez isso pra dar a vida pelos pecadores e abrir a eles o caminho da reconciliação com Deus (Marcos 10:45; 1 Pedro 3:18).