A resposta mais segura é esta: o corpo de Jesus ficou no túmulo, mas Jesus não deixou de existir quando morreu. Na cruz, ele entregou seu espírito ao Pai (Lucas 23:46). E disse ao homem crucificado ao seu lado que estaria com ele no paraíso naquele mesmo dia (Lucas 23:43). No terceiro dia, Jesus ressuscitou.
O que a Bíblia não explica com a mesma clareza é tudo o que Jesus fez nesse intervalo. Uma passagem que costuma gerar essa dúvida é 1 Pedro 3:18-20. Pedro diz que Cristo morreu, voltou à vida e fez uma proclamação a “espíritos em prisão”, ligados ao tempo de Noé. Alguns entendem que, depois de morrer, Jesus anunciou sua vitória a anjos caídos. Outros entendem que Pedro está falando de uma mensagem dada às pessoas do tempo de Noé por meio do Espírito de Cristo. A passagem é difícil, e não diz claramente qual foi a mensagem proclamada nem permite montar um relato detalhado daqueles dias.
Também não é seguro usar Efésios 4:8-10 para afirmar que Jesus foi buscar os fiéis que haviam morrido antes dele e levá-los ao céu. Há cristãos que entendem o texto assim, mas ele não descreve diretamente esse acontecimento.
E Jesus foi ao inferno? Isso depende do que se quer dizer com “inferno”. Em Atos 2:31, Pedro afirma que Jesus não foi abandonado ao *Hades*, palavra associada ao lugar ou estado dos mortos. O ponto de Pedro é que a morte não reteve Jesus: Deus o ressuscitou. Isso não significa que Jesus foi ao lugar de castigo final para sofrer mais ou oferecer uma segunda oportunidade de salvação. Sua obra pelos pecados foi realizada em sua morte na cruz (1 Pedro 3:18), e a Bíblia não ensina uma nova chance de salvação depois da morte (Hebreus 9:27).
Portanto, podemos afirmar o essencial sem fingir saber o que a Bíblia não contou: Jesus morreu de verdade, seu corpo foi sepultado, ele se entregou ao Pai e ressuscitou no terceiro dia. Sobre cada acontecimento entre a morte e a ressurreição, as Escrituras não dão uma descrição completa.