Pastor Antônio Junior

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Jesus foi crucificado numa sexta-feira?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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É bem provável que sim, mas a Bíblia não diz expressamente: “Jesus foi crucificado numa sexta-feira.” Os Evangelhos dizem que ele morreu no dia de preparação para o sábado e que seu túmulo foi encontrado vazio no primeiro dia da semana, o domingo (Marcos 15:42; 16:1-6). A questão é se aquele sábado era o descanso semanal, que começa na sexta-feira ao pôr do sol, ou se havia outro dia de descanso religioso naquela semana.

A sexta-feira é a explicação mais conhecida porque acompanha a sequência mais simples dos relatos: Jesus morreu e foi sepultado antes de começar o sábado; as mulheres descansaram nesse dia; e, no domingo de manhã, foram ao túmulo e o encontraram vazio (Lucas 23:54–24:3). João acrescenta que aquele sábado tinha importância especial por causa da festa judaica (João 19:31). Isso não exige que fosse um dia diferente do sábado semanal: os dois podiam coincidir.

A maior dúvida costuma ser outra. Jesus disse que estaria “três dias e três noites” no seio da terra, comparando sua experiência à de Jonas (Mateus 12:40). Se ele morreu na sexta-feira e o túmulo já estava vazio no domingo cedo, não passaram três dias e três noites completos.

Por isso, alguns cristãos defendem que a crucificação aconteceu na quarta-feira. Nessa explicação, teria havido dois dias de descanso naquela semana: um ligado à festa judaica e outro, o sábado semanal. Haveria, assim, mais tempo entre o sepultamento e a manhã de domingo. A proposta também procura explicar por que Marcos diz que as mulheres compraram aromas depois do sábado, enquanto Lucas diz que prepararam aromas e descansaram no sábado (Marcos 16:1; Lucas 23:56).

Essa leitura é possível, mas os textos não afirmam claramente que houve dois sábados separados. Também não precisamos concluir que as mulheres fizeram uma única compra e um único preparo. Além disso, no próprio domingo, os discípulos a caminho de Emaús disseram que aquele era o terceiro dia desde os acontecimentos ligados à condenação e à morte de Jesus (Lucas 24:20-21). Isso combina mais naturalmente com a sexta-feira do que com a quarta-feira.

A expressão “três dias e três noites” continua merecendo atenção. Ao mesmo tempo, os Evangelhos dizem repetidas vezes que Jesus ressuscitaria *no terceiro dia* (por exemplo, Lucas 9:22; 24:7). Contando os dias em que ele esteve morto, mesmo que não fossem completos, temos sexta-feira como primeiro dia, sábado como segundo e domingo como terceiro. Assim, não é necessário entender as palavras de Mateus como uma exigência de 72 horas exatas.

Há também quem proponha a quinta-feira, tentando dar mais tempo aos acontecimentos sem recuar até a quarta. Mas essa possibilidade, assim como a da quarta-feira, depende de reconstruções que os Evangelhos não confirmam diretamente.

Então, a resposta mais cuidadosa é: a sexta-feira é a conclusão mais natural a partir dos relatos bíblicos, embora não seja uma data declarada de modo explícito. Podemos reconhecer a dificuldade da expressão “três dias e três noites” sem afirmar com certeza mais do que o texto permite. O ponto que os Evangelhos deixam claro é que Jesus realmente morreu, foi sepultado e ressuscitou; e, segundo o Novo Testamento, sua morte e ressurreição são o fundamento da esperança de quem confia nele (1 Coríntios 15:3-4; João 3:16).