Sim. Jesus sentiu raiva, e a Bíblia mostra isso de forma bem clara. Mas ele nunca pecou por causa dela. Sua raiva não vinha de orgulho ferido nem de vontade de machucar alguém. Ela aparecia diante do pecado, especialmente quando pessoas eram tratadas com dureza ou a adoração a Deus era desrespeitada.
Um episódio mostra isso de maneira direta. Jesus estava numa sinagoga e havia ali um homem com a mão atrofiada. Alguns líderes religiosos observavam Jesus, procurando uma razão pra acusá-lo caso ele curasse o homem no sábado. Jesus perguntou se naquele dia era certo fazer o bem ou o mal, salvar uma vida ou matar. Eles ficaram calados. Marcos conta que Jesus olhou pra eles com raiva e, ao mesmo tempo, ficou profundamente triste com a dureza do coração deles. Então curou o homem (Marcos 3:1-5). A raiva de Jesus não o levou a ferir ninguém. Ele se entristeceu com a atitude daqueles líderes e fez o bem à pessoa que precisava de ajuda.
Também vemos Jesus agir com firmeza no templo de Jerusalém. Ele expulsou vendedores e cambistas e denunciou o que estava acontecendo ali (Mateus 21:12-13; João 2:13-17). João não diz expressamente que Jesus sentiu raiva nessa ocasião; ele fala do zelo de Jesus pela casa de seu Pai. Ainda assim, o episódio mostra que Jesus não tratava com indiferença aquilo que desrespeitava a Deus.
Isso ajuda a entender uma distinção importante: sentir raiva não é, por si só, o mesmo que pecar. Efésios 4:26 orienta os cristãos a não pecarem quando estiverem irados e a não alimentarem essa ira. O perigo é que a nossa raiva muitas vezes venha acompanhada de orgulho, pressa pra julgar, palavras cruéis ou desejo de vingança. Por isso Tiago 1:19-20 nos aconselha a ser lentos pra ficar irados e lembra que a ira humana não produz a justiça que Deus deseja.
Jesus, porém, não pecou (Hebreus 4:15). Quando ficou com raiva, não perdeu o controle nem deixou de amar. O caso da sinagoga é especialmente claro: ele sentiu raiva da dureza daqueles líderes, tristeza por eles e compaixão pelo homem que estava diante dele. Sim, Jesus teve raiva — e sua maneira de agir mostra que é possível se indignar com o que está errado sem usar a raiva como desculpa pra fazer o mal.