João chama Jesus de “a Palavra” porque é por meio dele que Deus se dá a conhecer de maneira plena. Deus já havia falado por meio dos profetas. Mas, em Jesus, ele fez mais do que enviar uma mensagem: o próprio Filho veio viver entre nós. Por isso, chamar Jesus de “a Palavra” não significa que ele seja apenas uma fala de Deus ou um mensageiro. João está falando de uma pessoa.
Logo no começo do Evangelho, João diz que a Palavra já existia “no princípio”, estava com Deus e era Deus (João 1:1). Depois, afirma que essa Palavra se tornou carne e viveu entre nós (João 1:14). Mais adiante, ele identifica essa pessoa como Jesus Cristo (João 1:17). Assim, João reúne duas verdades: Jesus sempre existiu e é Deus; ao vir ao mundo, ele se tornou verdadeiramente humano.
A expressão “estava com Deus” mostra que Jesus não é a mesma pessoa que o Pai. Já a afirmação “era Deus” mostra que ele não é apenas uma criatura próxima de Deus. João deixa isso ainda mais claro ao dizer que todas as coisas foram feitas por meio da Palavra (João 1:3). Jesus não começou a existir quando nasceu de Maria: ele já existia antes da criação.
O nome “Palavra” também ajuda a entender o que Jesus veio fazer. No começo da Bíblia, Deus cria por sua palavra (Gênesis 1). João retoma a expressão “no princípio” e mostra que Jesus participou da criação. Mas seu Evangelho também mostra que, por meio de Jesus, podemos conhecer o Pai. É nesse sentido que Jesus diz a Filipe que quem o vê, vê o Pai (João 14:9). Isso não quer dizer que Jesus seja o Pai. Quer dizer que, ao conhecer Jesus, vemos como Deus é.
Quando João diz que a Palavra “se tornou carne”, ele não está dizendo que Jesus deixou de ser Deus. Está dizendo que o Filho de Deus assumiu uma vida humana de verdade. Ele viveu entre pessoas, foi visto e ouvido por elas. Deus não ficou distante, falando apenas por outros: veio até nós em seu Filho.
No fim do Evangelho, João explica por que contou tudo isso: para que as pessoas creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e tenham vida por meio dele (João 20:30-31). É por isso que o nome “Palavra” importa. Jesus nos mostra quem Deus é e nos chama a confiar nele.