Porque a Bíblia não diz que Jesus precisava passar pelo mesmo castigo, do mesmo jeito e pelo mesmo tempo, pra salvar quem confia nele. Ela diz que ele deu a própria vida por nossos pecados e que seu sacrifício foi suficiente de uma vez por todas (1 Pedro 3:18; Hebreus 10:10-14). A pergunta é muito boa, mas parte de uma ideia que vale examinar: a de que pagar pelo pecado exigiria repetir exatamente o destino de quem morre sem ser salvo.
O pecado nos separa de Deus e traz a morte (Romanos 6:23). Jesus, porém, não morreu por pecados que ele mesmo tivesse cometido. Ele viveu sem pecado e entregou a vida por outros (Hebreus 4:15; 1 Pedro 2:22-24). Por isso, sua morte não foi apenas a morte de mais uma pessoa inocente. Foi o sacrifício daquele que veio nos salvar.
E quem é Jesus faz toda a diferença. Ele se tornou verdadeiramente humano, mas não deixou de ser Deus (João 1:1, 14; Colossenses 2:9). Como homem, pôde morrer por seres humanos. Como Filho de Deus, sua entrega tem um valor que não podemos medir pela duração do seu sofrimento. Hebreus destaca justamente esse ponto: ao contrário dos antigos sacrifícios, que precisavam ser repetidos, Jesus ofereceu a si mesmo uma vez, e isso foi suficiente (Hebreus 9:25-28; 10:11-14).
Às vezes se explica isso dizendo que pessoas finitas precisariam sofrer por um tempo infinito, enquanto Jesus, por ser Deus, pôde pagar tudo em pouco tempo. Essa comparação tenta responder à dúvida, mas vai além do que a Bíblia explica. Ela não apresenta uma conta entre a quantidade de sofrimento e o número de anos necessários pra quitar o pecado. O que ela afirma é que Cristo morreu por nossos pecados, ressuscitou e, por meio dele, recebemos perdão e reconciliação com Deus (1 Coríntios 15:3-4; Romanos 5:8-11).
Também não é necessário dizer que Jesus passou pelo inferno depois de morrer. A Bíblia aponta sua morte e ressurreição como o centro da obra que nos salva. Quando Jesus ressuscitou, isso não significou que faltava cumprir uma parte da pena. Significou que a morte não pôde retê-lo e que seu sacrifício não precisava ser repetido (Atos 2:24; Hebreus 10:12-14).
Então a resposta mais segura é esta: Jesus não precisou permanecer eternamente no inferno porque a salvação não dependia de ele reproduzir, minuto por minuto, o castigo dos pecadores. Dependia de ele entregar a própria vida por nós. E, segundo a Bíblia, essa entrega foi plenamente suficiente pra salvar aqueles que se achegam a Deus por meio dele (Hebreus 7:25; 1 Pedro 3:18).