Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

Jesus era um pacifista?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Depende do que queremos dizer com “pacifista”. Se a pergunta é se Jesus ensinou seus seguidores a não revidar ofensas e a não usar a violência pra defender sua causa, sim. Ele mandou amar os inimigos e orar por quem nos persegue (Mateus 5:38-44). Quando Pedro feriu um homem que vinha prendê-lo, Jesus o mandou guardar a espada e curou o ferido (Mateus 26:51-52; Lucas 22:50-51).

Mas, se “pacifista” significa afirmar que o uso da força é errado em qualquer situação, a resposta não é tão simples. Jesus não apresentou uma proibição expressa de todo uso da força, nem disse ao centurião romano que abandonasse o exército quando o elogiou por sua fé (Mateus 8:5-13). Isso, por si só, também não significa que Jesus aprovasse toda guerra. A conversa com o centurião tratava da fé daquele homem e da cura de seu servo, não das decisões que um soldado deve tomar em combate.

O que Jesus deixou muito claro foi como seus discípulos devem tratar as pessoas. Eles não devem procurar vingança nem responder ao mal com mais mal (Romanos 12:17-21). E não podem impor a fé pela força. Ao ser preso, Jesus não organizou uma resistência armada. Ele explicou a Pilatos que, se o seu reino fosse como os reinos deste mundo, seus seguidores lutariam para impedir sua prisão (João 18:36).

Talvez venha à mente aquela frase em que Jesus diz que não veio trazer paz, mas espada. Ali, ele não está mandando os discípulos atacar ninguém. O próprio contexto explica a imagem: segui-lo poderia causar divisão até dentro de uma família (Mateus 10:34-36). A “espada”, nesse caso, fala do conflito provocado pela decisão de segui-lo, não de uma ordem pra lutar.

A Bíblia também fala de Jesus como aquele que julgará o mal com justiça (Apocalipse 19:11-16). Isso não contradiz seu ensino sobre amar os inimigos. Uma coisa é o juízo que pertence a Deus; outra é um discípulo achar que tem o direito de ferir alguém em nome de Jesus.

Por isso, cristãos que levam esses ensinamentos a sério chegam a conclusões diferentes sobre a participação numa guerra. Alguns entendem que seguir Jesus exige recusar toda participação em combate. Outros entendem que um cristão pode servir nas forças armadas e, em circunstâncias graves, usar a força pra proteger pessoas contra uma agressão injusta. Estes costumam distinguir a vingança pessoal, que a Bíblia proíbe, da responsabilidade das autoridades de conter o mal (Romanos 13:1-4). Mesmo entre eles, há perguntas difíceis sobre quando uma guerra seria de fato justa e sobre o que um soldado pode fazer sem desobedecer a Deus.

Então, não basta chamar Jesus de pacifista ou dizer que ele não era. Ele ensinou seus seguidores a amar os inimigos, rejeitar a vingança e nunca usar a violência pra promover sua mensagem. Já a questão de se um cristão pode usar a força em toda e qualquer circunstância é uma questão sobre a qual cristãos fiéis à Bíblia divergem.