Significa que Jesus, embora não tivesse pecado, morreu por pecadores para nos reconciliar com Deus. Nós somos responsáveis pelo mal que fazemos; ele não era. Mesmo assim, entregou a própria vida por nós. É isso que Pedro quer dizer ao falar que Cristo morreu pelos pecados, o justo pelos injustos, para nos levar a Deus (1 Pedro 3:18).
A Bíblia não trata o pecado apenas como uma coleção de erros que podemos compensar fazendo coisas boas. Pecar é desobedecer a Deus, e isso nos torna culpados diante dele (Romanos 3:23). Por isso, o perdão não é Deus fingindo que o mal não aconteceu. Na cruz, Jesus assumiu as consequências do nosso pecado para que Deus pudesse nos perdoar. Isaías já havia anunciado que o servo do Senhor sofreria por causa das transgressões de outros (Isaías 53:5-6). Pedro também diz que Jesus carregou nossos pecados ao morrer na cruz (1 Pedro 2:24).
Isso não quer dizer que Jesus se tornou pecador ou passou a ser culpado de alguma coisa que fez. Ele continuou inocente. Justamente por isso sua morte é diferente da nossa: ele não morreu para pagar pelos próprios pecados, mas se ofereceu por nós. Paulo expressa essa troca ao dizer que Deus agiu por meio daquele que não conheceu pecado para que, unidos a ele, pudéssemos ser aceitos por Deus (2 Coríntios 5:21).
Também não significa que o Pai obrigou um Filho contra a vontade a sofrer. Jesus sabia o que o esperava e entregou a vida voluntariamente (João 10:17-18). A cruz mostra, ao mesmo tempo, a seriedade do pecado e o amor de Deus: foi o próprio Deus quem tomou a iniciativa de nos reconciliar consigo por meio de Cristo (2 Coríntios 5:18-19).
Mas, se Jesus morreu em nosso lugar, por que os cristãos ainda morrem? Porque a promessa não é que ninguém mais passaria pela morte física. Jesus ressuscitou e abriu o caminho para que a morte não seja o fim de quem pertence a ele (1 Coríntios 15:20-22). E, por causa dele, quem confia em Cristo não precisa enfrentar a condenação pelo seu pecado (Romanos 8:1).
Então, dizer que Jesus tomou o nosso lugar é dizer algo muito pessoal: ele fez por nós o que não poderíamos fazer por nós mesmos. Assumiu, sendo inocente, o que era consequência da nossa culpa, para nos oferecer perdão e uma nova vida com Deus.