Jesus não explicou o motivo da escolha. O que João 19:26-27 mostra é que, enquanto estava na cruz, Jesus viu sua mãe perto do discípulo a quem amava e pediu que os dois passassem a cuidar um do outro como mãe e filho. A partir daquele momento, o discípulo a recebeu em sua casa. A tradição cristã identifica esse discípulo como o apóstolo João.
Os irmãos de Jesus existiam, então a pergunta faz sentido. A Bíblia diz que, antes da crucificação, eles não criam nele (João 7:5). João, por sua vez, estava ali, ao lado de Maria, e era um discípulo próximo de Jesus. Isso ajuda a entender por que Jesus confiou sua mãe a ele. Mas é importante não afirmar mais do que o texto diz: a passagem não explica se os irmãos estavam presentes nem declara que a falta de fé deles foi o motivo decisivo.
Também não parece que Jesus estivesse rejeitando seus irmãos para sempre. Depois da ressurreição, eles aparecem reunidos em oração com os discípulos e com Maria (Atos 1:14). Tiago, um dos irmãos de Jesus, veio a ter um papel importante na igreja.
O ponto claro da passagem é o cuidado de Jesus com sua mãe. Mesmo sofrendo na cruz, ele se preocupou em garantir que ela fosse acolhida. E João atendeu ao pedido. Esse gesto combina com o ensino bíblico de cuidar da própria família e de não abandonar pessoas que precisam de ajuda (1 Timóteo 5:4, 8; Tiago 1:27).
Alguns cristãos veem nessa cena também um significado mais amplo sobre Maria e os discípulos de Jesus. Mas João 19:26-27 não afirma, por si só, que Jesus estava dando a Maria uma função de mãe espiritual de todos os cristãos. O que o texto conta diretamente é simples e significativo: Jesus confiou sua mãe a um discípulo que estava ali e que passou a cuidar dela.