Se “inferno” quer dizer o lugar onde as pessoas sofrem o castigo final, a Bíblia não diz que Jesus foi pra lá. Ela também não diz que ele precisou continuar sofrendo depois da morte pra pagar pelos nossos pecados. O sacrifício de Jesus aconteceu na cruz; ele morreu e ressuscitou ao terceiro dia (1 Coríntios 15:3-4).
A dúvida surge, em parte, porque a palavra “inferno” já foi usada em português pra traduzir termos bíblicos diferentes. Um deles é *Hades*, ligado ao estado dos mortos. Outro é o “lago de fogo”, apresentado em Apocalipse 20:13-15 como o destino ligado ao julgamento final. Tratar os dois como se fossem a mesma coisa pode dar a impressão errada de que Jesus foi a um lugar de punição.
O que sabemos sobre o período entre a morte e a ressurreição? O corpo de Jesus foi colocado num túmulo (Lucas 23:53). Antes de morrer, ele disse ao criminoso arrependido que ambos estariam naquele dia no paraíso (Lucas 23:43). Depois, Pedro aplicou a Jesus o Salmo 16 e explicou que ele não foi abandonado no Hades: Deus o ressuscitou (Atos 2:27-32). Essas passagens nos dão motivo pra afirmar que Jesus realmente morreu, mas não ficou sob o poder da morte.
Alguns cristãos entendem que, nesse período, Jesus foi ao lugar dos mortos, onde estavam os justos que haviam morrido. Outros entendem essas passagens de outra maneira. Há também quem veja em Efésios 4:8-10 e 1 Pedro 3:18-20 uma referência ao que Jesus fez entre a morte e a ressurreição. Mas esses textos são interpretados de formas diferentes; eles não estabelecem com clareza que Jesus retirou os justos de uma parte do Hades e os levou ao céu.
Então, a resposta mais segura é esta: Jesus morreu de verdade e ressuscitou, mas não há base bíblica pra dizer que desceu a um lugar de tormento pra sofrer mais pelos nossos pecados. A Bíblia anuncia que fomos reconciliados com Deus por meio da morte de Cristo (Romanos 5:8-10), não por um sofrimento adicional depois dela.