Quando Jesus se chamava de Filho do Homem, ele falava de si mesmo como alguém que veio viver de verdade entre os seres humanos. Mas o título também apontava pra algo maior: ele é aquele a quem Deus daria autoridade e um reino que não terá fim.
A primeira parte é fácil de entender. Jesus não apenas parecia humano. Ele nasceu, sentiu fome, cansaço e dor, e morreu. João diz que aquele que estava com Deus e era Deus se tornou ser humano e viveu entre nós (João 1:1, 14). Por isso, chamá-lo de Filho do Homem não contradiz chamá-lo de Filho de Deus. Os dois títulos dizem coisas importantes sobre quem ele é.
Mas Jesus também usava essa expressão lembrando uma visão do profeta Daniel. Nela, aparece alguém “como um filho do homem” — ou seja, com aparência humana — que se aproxima de Deus e recebe autoridade sobre povos de todas as nações. Seu reino não terá fim (Daniel 7:13-14). Quando Jesus falou do Filho do Homem vindo com as nuvens e recebendo autoridade, ele ligou sua própria pessoa a essa visão (Marcos 14:61-62).
Isso ajuda a entender por que Jesus podia usar o mesmo título tanto ao falar da sua glória quanto ao falar do seu sofrimento. Ele disse que o Filho do Homem tinha autoridade pra perdoar pecados (Marcos 2:10). Também disse que o Filho do Homem seria morto e ressuscitaria (Marcos 8:31). E explicou que veio pra servir e dar a própria vida em favor de muitos (Marcos 10:45).
Então, o título reúne essas duas verdades: Jesus se tornou realmente humano e é o Messias a quem Deus deu autoridade. Ele não veio apenas pra reinar; antes, veio servir e morrer por nós.