Quando a Bíblia chama Jesus de Filho de Deus, ela não está dizendo que Deus se casou ou teve um filho como nós temos. Está dizendo que Jesus tem uma relação única com Deus, o Pai. Ele não é apenas alguém criado por Deus ou escolhido pra representá-lo: ele é Deus, assim como o Pai é Deus.
O começo do Evangelho de João ajuda a entender isso. João apresenta Jesus como aquele que já existia com Deus antes de nascer neste mundo e que era Deus. Depois, diz que ele se tornou humano e viveu entre nós (João 1:1,14). Portanto, Jesus não começou a ser o Filho de Deus quando Maria ficou grávida. Antes de vir ao mundo, ele já estava com o Pai. Em João 17:5, Jesus fala da glória que tinha junto do Pai antes da criação do mundo.
Isso não quer dizer que Jesus seja o próprio Pai com outro nome. O Pai e o Filho são distintos, mas Jesus possui a mesma natureza divina do Pai. Por isso, Hebreus 1:3 apresenta o Filho como aquele que mostra perfeitamente quem Deus é. Ao conhecer Jesus, conhecemos o caráter de Deus de um modo que ninguém mais poderia revelar (João 1:18).
E onde entra o nascimento de Jesus? Quando o anjo anunciou a Maria que ela teria um filho pela ação do Espírito Santo, disse que a criança seria chamada Filho de Deus (Lucas 1:35). Esse nascimento foi único: Jesus se tornou verdadeiramente humano sem deixar de ser Deus. Mas o título “Filho de Deus” não se explica *apenas* pela maneira como ele nasceu. Ele já era o Filho antes disso.
A Bíblia também chama outras pessoas de filhos de Deus. Quem crê em Jesus, por exemplo, recebe o direito de ser chamado filho de Deus (João 1:12). Mas há uma diferença importante: nós nos tornamos filhos de Deus pela graça; Jesus é o Filho de uma maneira única. Ele veio ao mundo pra nos revelar o Pai e nos reconciliar com ele.
Então, a resposta mais simples é esta: chamar Jesus de Filho de Deus é reconhecer sua relação única com o Pai e quem ele realmente é — Deus que veio viver entre nós como ser humano.