Sim. Jesus era realmente filho de Maria. Ele foi concebido nela, cresceu em seu ventre e nasceu dela. Não foi apenas uma criança que Maria recebeu pra criar. Ao mesmo tempo, ela ainda era virgem quando Jesus foi concebido: não houve um pai humano. Segundo Lucas 1:34-35 e Mateus 1:18-20, sua concepção aconteceu pela ação do Espírito Santo.
A parte difícil da pergunta é esta: se Maria era uma pessoa pecadora, como Jesus podia ser seu filho e não ter pecado? A Bíblia afirma as duas coisas, mas não explica o processo em detalhes. Jesus nasceu de uma mulher e se tornou verdadeiramente humano (Gálatas 4:4; Hebreus 2:14). E, diferente de nós, não tinha pecado: Hebreus 4:15 diz que ele foi tentado, mas não pecou; Hebreus 7:26 o apresenta como santo e sem mancha.
Por isso, não precisamos concluir que o pecado passou a Jesus só porque Maria era sua mãe. A Bíblia não ensina que a natureza pecaminosa seja transmitida como uma característica do corpo, nem diz que ela passe exclusivamente pelo pai. Romanos 5:12-19 relaciona nossa condição de pecadores a Adão, mas não descreve uma regra biológica que explique como cada filho herda o pecado.
Também não seria correto dizer que Jesus só *evitou cometer pecados*, apesar de ter uma natureza pecaminosa. A maneira como o Novo Testamento fala dele vai além disso. Jesus compartilhou nossa humanidade, enfrentou tentações reais e, ainda assim, permaneceu sem pecado (Hebreus 4:15; 1 Pedro 2:22).
Então, até onde podemos ir? Podemos dizer com segurança que Jesus recebeu de Maria sua verdadeira humanidade e que sua concepção foi uma ação singular de Deus. Lucas 1:35 liga essa ação do Espírito Santo ao fato de que a criança seria santa. O que a Bíblia não nos conta é exatamente como Deus fez isso. Explicações mais detalhadas sobre a transmissão do pecado são tentativas de responder a uma pergunta que o texto bíblico não resolve por completo.
Isso importa porque Jesus não veio apenas parecer um de nós. Ele se tornou humano de verdade pra nos representar. E, por não ter pecado, pôde entregar sua vida pelos nossos pecados, não pelos seus próprios (Hebreus 9:28; 2 Coríntios 5:21).