Jesus não estava dizendo que seus seguidores deveriam usar a violência. A “espada” de Mateus 10:34-36 representa a divisão que pode surgir quando alguém decide segui-lo. Jesus estava preparando os discípulos pra uma realidade difícil: nem todos receberiam sua mensagem, e essa diferença poderia causar conflitos até dentro da mesma família.
O próprio Jesus explicou o que queria dizer. Logo depois de falar da espada, ele mencionou pais, filhos e outras pessoas da mesma casa ficando uns contra os outros (Mateus 10:35-36). Nesse trecho, portanto, o assunto não é uma batalha com armas. É o sofrimento de ter sua decisão de seguir a Cristo rejeitada por pessoas próximas.
Isso não contradiz o fato de Jesus trazer paz. Por meio dele, podemos ter paz com Deus (Romanos 5:1). Jesus também ensinou seus discípulos a promover a paz, não a criar brigas (Mateus 5:9). Mas essa paz não significa que todos vão aceitar sua mensagem ou respeitar quem o segue. Quando Pedro usou uma espada pra defender Jesus, Jesus mandou que ele a guardasse (Mateus 26:51-52). A reação de Pedro mostra justamente o tipo de atitude que Jesus não estava autorizando em Mateus 10.
Há ainda uma parte importante da explicação nos versículos seguintes. Jesus disse que seus discípulos precisariam amá-lo acima de pai, mãe, filho ou filha (Mateus 10:37). Isso não é uma ordem pra amar menos a família ou tratá-la mal. Quer dizer que, se a família exigir que alguém abandone Jesus, essa pessoa terá de escolher a quem obedecer, mesmo que a escolha lhe custe um relacionamento muito querido.
Então, a espada de que Jesus falou não é algo que o cristão deve empunhar. É uma maneira de avisar que segui-lo pode trazer oposição, inclusive dentro de casa. O discípulo deve continuar amando sua família e procurando viver em paz, sem deixar de ser fiel a Cristo.