A Bíblia não diz por que Jesus não deixou um livro escrito por ele. Por isso, não dá pra afirmar que sabemos o motivo. O que ela mostra é como seus ensinamentos chegaram até nós: Jesus ensinou pessoalmente, preparou discípulos pra serem suas testemunhas, e alguns deles — ou pessoas próximas a eles — registraram o que ele fez e ensinou.
João explica que seu Evangelho não conta tudo o que Jesus fez. Ele escolheu acontecimentos e ensinamentos para que os leitores conhecessem quem Jesus é e cressem nele (João 20:30-31). Lucas também conta que investigou cuidadosamente os fatos recebidos de testemunhas antes de escrever seu relato (Lucas 1:1-4). Assim, os Evangelhos não são livros escritos pela mão de Jesus, mas relatos sobre ele, feitos para preservar e anunciar sua mensagem.
Jesus também prometeu aos discípulos que o Espírito Santo os ajudaria a lembrar do que ele havia ensinado e os guiaria na verdade (João 14:26; 16:13). Isso ajuda a entender por que os cristãos recebem os escritos dos apóstolos como parte das Escrituras, e não como ensinamentos de segunda categoria só porque Jesus não segurou a pena. A fé cristã se apoia no testemunho que Deus nos deu nas Escrituras, não na necessidade de encontrar um texto escrito pessoalmente por Jesus (2 Timóteo 3:16).
É verdade que, em uma ocasião, Jesus escreveu com o dedo no chão. Mas o texto não diz o que ele escreveu, e aquilo não era um livro destinado a ser preservado (João 8:6-8). Também não há base bíblica pra afirmar que Jesus escreveu livros que depois foram escondidos.
Às vezes se sugere que Deus não preservou escritos feitos por Jesus porque as pessoas poderiam dar atenção só a eles e desprezar o restante da Bíblia. Isso é uma possibilidade, não uma explicação dada pelas Escrituras. A resposta mais segura é mais simples: não sabemos por que Jesus não escreveu um livro. Sabemos, porém, que ele fez sua mensagem chegar até nós por meio das testemunhas que o acompanharam e dos escritos que temos no Novo Testamento.