A Bíblia não conta tudo o que levou Jesus a escolher Judas como um dos doze apóstolos. Mas deixa claro o ponto principal: Jesus não foi enganado por ele. João diz que Jesus sabia quem não cria nele e quem o trairia (João 6:64). Ainda assim, escolheu Judas pra fazer parte do grupo.
Isso pode parecer estranho porque Judas não era apenas alguém que acompanhava Jesus de longe. Ele conviveu com os outros discípulos e cuidava do dinheiro do grupo. Mais tarde, João conta que Judas tirava dinheiro daquela bolsa pra si (João 12:6). Estar tão perto de Jesus, ouvir seus ensinamentos e participar da vida dos discípulos não significava que Judas confiasse nele de verdade.
A escolha de Judas também precisa ser entendida à luz do que Jesus veio fazer. Sua morte não foi um acidente que acabou com sua missão. Jesus veio dar a vida pelos pecadores (1 Pedro 3:18). Quando a traição se aproximava, ele disse que o Filho do Homem seguiria o caminho anunciado nas Escrituras, mas também advertiu seriamente aquele que o trairia (Marcos 14:21). Depois da ressurreição, Pedro explicou que as Escrituras se cumpriram no que aconteceu com Judas (Atos 1:16-20).
Isso não quer dizer que Judas tenha sido obrigado a trair Jesus. Ele agiu e foi responsável pelo que fez. A Bíblia mantém as duas coisas juntas: a morte de Jesus fazia parte do plano de Deus, e as pessoas envolvidas nela eram culpadas por suas próprias ações. Pedro afirma isso ao falar da crucificação em Atos 2:23.
Então, por que Jesus o escolheu? Podemos dizer com segurança que ele o escolheu sabendo da traição e que Deus cumpriu seu plano de salvação apesar do pecado de Judas. O que a Bíblia não explica é por que Judas, especificamente, recebeu aquele lugar entre os doze. Não precisamos inventar uma razão pra preencher esse silêncio. O que sabemos é que Judas não pegou Jesus de surpresa, nem sua traição impediu Jesus de fazer aquilo que tinha vindo fazer.