Não. Em Mateus 5:21-22, Jesus não corrige o mandamento que proíbe matar. Ele corrige a ideia de que alguém está bem diante de Deus só porque nunca tirou a vida de outra pessoa.
No Sermão da Montanha, Jesus lembra o que seus ouvintes conheciam: a proibição de matar e o julgamento de quem cometesse esse crime. Depois, ele chama a atenção pra ira contra o irmão e pras palavras usadas pra humilhá-lo. Seu ponto é que Deus não vê apenas o ato final. Ele também leva a sério a maneira como tratamos as pessoas antes que a violência chegue a esse extremo.
Isso não significa que sentir ira e cometer um assassinato sejam atos idênticos, com as mesmas consequências. Jesus não apaga essa diferença. Ele mostra que é possível obedecer ao mandamento por fora e, ainda assim, cultivar por dentro desprezo pela vida do outro.
Essa preocupação com o coração não era uma novidade contrária à Lei de Moisés. A própria Lei proibia guardar ódio no coração e mandava amar o próximo (Levítico 19:17-18). Por isso, quando Jesus diz “eu, porém, lhes digo”, ele não está afirmando que Deus havia ensinado algo errado antes. Ele fala com autoridade pra mostrar como o mandamento deve ser entendido e vivido. Pouco antes, ele deixa claro que não veio revogar a Lei, mas cumpri-la (Mateus 5:17).
A continuação da passagem ajuda a entender o que Jesus quer de nós. Em Mateus 5:23-24, ele ensina que, se alguém se lembra de que seu irmão tem algo contra ele, deve procurar a reconciliação. Ou seja, Jesus não está apenas dizendo “não mate” ou “não se irrite”. Ele nos chama a abandonar o desprezo e a buscar a paz quando há uma relação quebrada.
Então, a resposta é: Jesus não contradisse a Lei; ele mostrou que obedecer a Deus envolve mais do que evitar um crime. O mandamento protege a vida, e Jesus nos ensina a tratar o próximo de um modo coerente com esse valor — inclusive nos pensamentos, nas palavras e nas atitudes.