Jesus não disse, com essas palavras exatas, “Eu sou Deus”. Mas, nos Evangelhos, ele falou e agiu de maneiras que mostram quem ele afirmava ser. E, quando as pessoas o chamaram de Deus, ele não as corrigiu.
Uma das conversas mais claras está em João 10. Jesus disse que ele e o Pai são um (João 10:30). Quem o ouvia pegou pedras para matá-lo e explicou o motivo: entendiam que, sendo homem, ele estava se fazendo Deus (João 10:31-33). A reação deles, por si só, não prova que tinham entendido tudo corretamente. Mas mostra que a fala de Jesus não soou como uma simples declaração de que ele concordava com Deus. Na mesma conversa, Jesus já tinha dito que dava vida eterna às suas ovelhas e que ninguém poderia tirá-las de sua mão (João 10:27-29). Ele falava com uma autoridade que pertencia a Deus.
Em outra ocasião, Jesus disse que já existia antes de Abraão, que havia vivido muitos séculos antes dele. Sua maneira de dizer isso, em João 8:58, também lembra a forma como Deus se apresenta em Êxodo 3:14. Há discussão sobre o quanto Jesus pretendia fazer uma referência direta a essa passagem. O ponto mais claro é que ele não estava dizendo apenas que conhecia a história de Abraão: afirmava existir antes dele. Mais uma vez, seus ouvintes pegaram pedras para atacá-lo (João 8:59).
Talvez o momento mais simples de entender venha depois da ressurreição. Ao encontrar Jesus vivo, Tomé se dirigiu a ele como seu Senhor e seu Deus. Jesus não o corrigiu. Em vez disso, falou da fé de Tomé e daqueles que creriam sem tê-lo visto (João 20:27-29).
O restante do Novo Testamento ajuda a entender essas cenas. João diz que aquele que veio viver entre nós já existia no princípio, estava com Deus e era Deus (João 1:1, 14). Isso não quer dizer que Jesus seja o Pai. O Filho e o Pai são distintos, mas João atribui ao Filho a natureza divina. É por isso que os cristãos confessam que Jesus é Deus e, ao mesmo tempo, falam dele como o Filho de Deus.
Então, Jesus disse que era Deus? Não na frase exata da pergunta. Mas essa é a conclusão que suas palavras, suas ações e o testemunho dos apóstolos sustentam. Jesus se apresentou como mais do que um mestre enviado por Deus: ele é o Filho que veio ao mundo como ser humano para nos revelar o Pai e nos salvar (João 1:14, 18; 3:16-17).