O Jesus Culture é um movimento cristão conhecido principalmente por suas músicas de adoração e conferências. Ele começou como um ministério de jovens ligado à Bethel Church, em Redding, na Califórnia, sob a liderança de Banning Liebscher. Sua proposta é incentivar as pessoas a adorar a Deus, buscar sua presença e levar a mensagem de Jesus a outras pessoas.
A resposta curta é: há coisas boas nessa proposta, mas nem tudo que é ensinado ou praticado nesse ambiente deve ser aceito sem exame. Pra avaliar o movimento com justiça, é importante não tratar uma canção, uma conferência e todos os ensinamentos da igreja onde ele surgiu como se fossem exatamente a mesma coisa.
Adorar a Deus com entusiasmo não é um problema. A Bíblia nos chama a amá-lo de todo o coração, e a fé cristã não é uma experiência fria ou apenas intelectual. Mas a emoção, por mais sincera que seja, não mostra sozinha se um ensino está correto. Uma reunião pode ser marcante e, ainda assim, deixar de explicar algo essencial: quem é Jesus, por que precisamos nos arrepender e como somos salvos pela graça, mediante a fé nele. Esse é o centro da mensagem cristã (Marcos 1:15; Efésios 2:8-9; 1 Coríntios 15:1-4).
Uma preocupação ligada à Bethel, igreja da qual o Jesus Culture surgiu, é o ensino sobre apóstolos e profetas nos dias de hoje. Cristãos que levam a Bíblia a sério entendem de maneiras diferentes se Deus ainda concede dons como profecia, línguas e curas. Portanto, acreditar que Deus pode curar alguém hoje não torna uma pessoa antibíblica. A questão mais importante é que autoridade se dá a alguém que afirma falar em nome de Deus. Os apóstolos que testemunharam a ressurreição de Jesus tiveram um papel especial no começo da igreja (Atos 1:21-22; Efésios 2:20). Por isso, nenhuma mensagem de um líder atual deve ser colocada no mesmo nível das Escrituras, nem substituir o ensino que recebemos nelas (Gálatas 1:8; 2 Timóteo 3:16-17).
O mesmo cuidado vale pra curas e milagres. Podemos orar por quem está doente, confiando no poder e na bondade de Deus. Mas não podemos dizer que toda pessoa continua doente por falta de fé ou porque deixou a doença entrar em sua vida. Jesus rejeitou a ideia de que a condição de um homem cego pudesse ser explicada simplesmente pelo pecado dele ou de seus pais (João 9:1-3). Paulo também orou repetidas vezes por causa de um sofrimento que não foi retirado (2 Coríntios 12:7-9). Prometer cura a todos, ou culpar quem não foi curado, vai além do que a Bíblia ensina e pode ferir profundamente quem já está sofrendo.
Então, é bíblico ouvir uma música do Jesus Culture? A resposta depende do que aquela música diz. E quanto a participar de suas atividades ou seguir seus ensinamentos? Aí é preciso olhar também pro que se ensina sobre Jesus, salvação, Bíblia, experiências espirituais e cura. Não é necessário rejeitar tudo por causa da origem do movimento, nem aceitar tudo porque uma canção nos ajudou a adorar. O caminho mais seguro é o que Paulo recomenda: examinar tudo e ficar com o que é bom (1 Tessalonicenses 5:21).