A Bíblia não diz por que Jesus escolheu justamente Pedro, Tiago e João. O que ela mostra é que, entre os doze apóstolos, esses três acompanharam Jesus em ocasiões nas quais os outros não estavam presentes. Por isso, é comum chamá-los de seu “círculo íntimo”. Mas essa expressão não aparece na Bíblia, e não sabemos se eles eram seus amigos preferidos.
Os três estavam com Jesus quando ele ressuscitou a filha de Jairo. Também viram sua transfiguração, quando sua glória foi revelada de uma maneira extraordinária. E, pouco antes de ser preso, foram chamados pra ficar mais perto dele enquanto orava no Getsêmani (Marcos 5:37-42; 9:2-8; 14:32-34). Eles viram, portanto, momentos muito diferentes: seu poder sobre a morte, sua glória e a profunda angústia que enfrentou antes da cruz.
Uma explicação possível é que Jesus estivesse preparando esses homens pra responsabilidades que teriam depois. Pedro anunciou publicamente a ressurreição de Jesus e teve um papel importante no começo da igreja (Atos 2:14-41). Tiago permaneceu como apóstolo até ser morto por ordem de Herodes (Atos 12:1-2). João também serviu à igreja e se apresenta como testemunha daquilo que viu e ouviu a respeito de Jesus (1 João 1:1-3). Ter estado com Jesus naquelas ocasiões pode tê-los ajudado a testemunhar sobre ele com mais clareza.
Isso, porém, é uma possibilidade, não um motivo que a Bíblia declare. Também não basta dizer que foram escolhidos porque estavam entre os primeiros discípulos: André, irmão de Pedro, também foi chamado cedo e não aparece com eles nesses três acontecimentos (Marcos 1:16-20).
O mais seguro é ficar com o que o texto nos permite afirmar. Jesus quis a presença de Pedro, Tiago e João em momentos específicos e lhes deu a oportunidade de ver coisas que seriam importantes no testemunho deles. Por que escolheu exatamente esses três, a Bíblia não explica. Isso não diminui os outros apóstolos: todos foram chamados por Jesus e receberam a missão de anunciar sua mensagem (Mateus 28:18-20).