O mais natural é entender que Jesus transformou a água em vinho comum, com álcool, e não em suco de uva. João não informa o teor alcoólico da bebida, mas chama de vinho tanto o que havia acabado na festa quanto o que Jesus fez depois (João 2:3, 9-10). No grego, a palavra usada é *oinos*, a palavra comum pra vinho.
Isso aconteceu num casamento em Caná. Quando o vinho acabou, Jesus mandou encher de água seis grandes recipientes. Depois, os servos levaram um pouco ao responsável pela festa. Ao provar, ele percebeu que aquele vinho era excelente — tão bom que comentou com o noivo que o melhor tinha sido guardado até aquele momento (João 2:1-10).
Às vezes surge a dúvida: se a bebida tinha álcool, Jesus não estaria incentivando as pessoas a se embriagar? Não. Beber vinho e se embriagar não são a mesma coisa. A Bíblia fala do vinho como algo que pode ser recebido com alegria (Salmo 104:14-15), mas condena claramente a embriaguez e alerta sobre seus efeitos (Provérbios 23:29-35; Efésios 5:18). João também não diz que os convidados estavam bêbados nem que Jesus os incentivou a beber sem limite.
É possível escolher não beber álcool, inclusive por cuidado com a própria saúde ou com outras pessoas. Mas essa escolha não exige chamar de suco de uva aquilo que o relato chama de vinho.
No fim, João explica por que contou esse milagre: Jesus mostrou sua glória, e seus discípulos creram nele (João 2:11). O vinho faz parte da história; o ponto principal é o que aquele sinal revelou sobre Jesus.