Jacó queria se casar com Raquel, mas acabou se casando primeiro com Lia, a irmã dela, porque foi enganado pelo pai das duas. A partir daí, a vida dessa família ficou marcada por ciúmes, sofrimento e disputas. Mesmo assim, foi por meio dos filhos de Jacó que se formou o povo de Israel. A história está principalmente em Gênesis 29 a 35.
Jacó chegou à casa de seu tio Labão depois de fugir de Canaã. Seu irmão Esaú estava furioso com ele por causa da bênção que Jacó havia recebido de seu pai, Isaque, e Jacó temia que Esaú o matasse (Gênesis 27:41-45). Na casa de Labão, ele conheceu Raquel e se apaixonou por ela. Como não tinha bens para oferecer pelo casamento, combinou trabalhar sete anos para o tio em troca da mão dela (Gênesis 29:16-20).
Quando os sete anos terminaram, Labão preparou o casamento, mas entregou Lia a Jacó no lugar de Raquel. Jacó só percebeu o engano na manhã seguinte. Labão alegou que, naquela região, a filha mais nova não deveria se casar antes da mais velha. Depois da semana das celebrações do casamento com Lia, Jacó também se casou com Raquel e se comprometeu a trabalhar mais sete anos por ela (Gênesis 29:21-30). Portanto, ele não esperou outros sete anos para se casar com Raquel; esses anos foram o pagamento combinado depois.
O problema não terminou com os casamentos. Jacó amava Raquel mais do que Lia, e Lia vivia com a dor de não ser amada da mesma maneira. Ela teve filhos, enquanto Raquel, por um tempo, não conseguia engravidar. Isso aumentou a rivalidade entre as irmãs. As duas também deram suas servas, Bila e Zilpa, a Jacó para que tivessem filhos com ele, conforme um costume daquele tempo. Gênesis conta até uma ocasião em que as irmãs negociaram com quem Jacó passaria a noite (Gênesis 29:31–30:24). A Bíblia relata essas atitudes, mas não diz que elas eram um exemplo de como uma família deveria viver.
Com o tempo, Raquel também teve um filho, José. Ao todo, Jacó teve doze filhos homens: seis com Lia, dois com Zilpa, dois com Bila e dois com Raquel. Lia também foi mãe de Diná (Gênesis 30:21; 35:22-26). Esses doze filhos estão ligados à origem das tribos de Israel. Entre eles estava Judá, filho de Lia, de cuja descendência viria Jesus Cristo (Mateus 1:2-3, 16).
Depois de vinte anos trabalhando para Labão, Jacó saiu com sua família e seus bens para voltar a Canaã (Gênesis 31:38-41). A viagem também teve seus conflitos: Raquel levou objetos religiosos de seu pai sem que Jacó soubesse, e Labão foi atrás deles (Gênesis 31:19, 30-35). Mais adiante, Jacó precisou enfrentar o medo de reencontrar Esaú. Nesse retorno, recebeu de Deus o nome Israel (Gênesis 32:22-30). É desse nome que vem o nome do povo formado por seus descendentes.
Raquel morreu algum tempo depois, durante o parto de seu segundo filho, Benjamim, e foi sepultada no caminho de Efrata, perto de Belém (Gênesis 35:16-20). A Bíblia não conta quando Lia morreu, mas Jacó disse, anos mais tarde, que ela estava sepultada na caverna onde também foram enterrados Abraão, Sara, Isaque e Rebeca (Gênesis 49:29-32).
Essa não é a história de uma família sem erros. Labão enganou Jacó; Jacó favoreceu Raquel; Lia e Raquel sofreram e disputaram seu lugar dentro de casa. O ponto importante é que Deus continuou agindo em meio a tudo isso. Ele não aprovou os enganos e a rivalidade, mas cumpriu sua promessa de formar, a partir da família de Abraão, um povo por meio do qual viria o Salvador.