Pastor Antônio Junior

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Por que Deus disse que amou Jacó e odiou Esaú?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Essa frase soa dura porque, numa conversa comum, “odiar” alguém significa sentir aversão por essa pessoa. Mas Malaquias e Paulo estão falando, antes de tudo, da escolha de Deus e do que aconteceu depois com os povos que vieram desses dois irmãos.

Jacó e Esaú eram filhos gêmeos de Isaque e Rebeca. Antes de eles nascerem, Deus anunciou que o mais velho serviria ao mais novo (Gênesis 25:23). Isso contrariava o costume da época: normalmente, o filho mais velho tinha a posição de maior destaque. Deus escolheu Jacó, e não Esaú, para dar continuidade ao povo por meio do qual cumpriria suas promessas feitas a Abraão. Jacó recebeu mais tarde o nome de Israel; de Esaú veio o povo de Edom.

É nesse contexto que Malaquias diz que Deus amou Jacó e odiou Esaú. O profeta fala muitos séculos depois da vida dos irmãos e se dirige a Israel, que duvidava do amor de Deus. Sua resposta é, em outras palavras: “Olhem o que aconteceu com vocês e com Edom”. Deus havia mantido sua relação com Israel, enquanto Edom tinha sofrido seu julgamento (Malaquias 1:2-5). Portanto, “amar Jacó” inclui escolher Israel para um papel especial; “odiar Esaú” inclui não dar esse mesmo papel a Edom e, no contexto de Malaquias, julgá-lo. Não seria fiel à passagem reduzir tudo a uma simples diferença de preferência, pois ela também fala da destruição de Edom.

Paulo cita Malaquias em Romanos 9:10-13 para mostrar que a escolha de Deus não dependeu de Jacó ter nascido primeiro nem de ter feito boas obras antes de Esaú. Afinal, o anúncio a Rebeca veio antes do nascimento dos dois. Paulo está explicando que Deus é livre para conduzir seus propósitos e cumprir suas promessas.

Isso não significa que Deus tenha proibido Esaú de receber qualquer bem. O próprio Esaú disse que possuía o suficiente, e Gênesis relata que seus descendentes formaram um povo (Gênesis 33:9; 36:1-43). Também não devemos concluir, só com base nessa frase, qual foi o destino eterno de cada um dos irmãos. Cristãos que reconhecem a autoridade da Bíblia entendem de maneiras diferentes como Romanos 9 se relaciona com a salvação individual. O ponto claro da passagem é que a escolha de Jacó para dar continuidade às promessas de Deus não foi uma recompensa por méritos anteriores.

E como isso se encaixa com a afirmação de que Deus é amor? O amor de Deus não o impede de escolher pessoas para tarefas diferentes, nem o impede de julgar o mal. O “ódio” dessa passagem não deve ser imaginado como uma explosão de raiva humana contra um bebê que ainda não tinha feito nada. Ao mesmo tempo, o julgamento de Edom em Malaquias mostra que a palavra não deve ser esvaziada, como se não tivesse consequências reais.

Assim, a resposta mais direta é: Deus amou Jacó ao escolhê-lo para a história de Israel e ao manter suas promessas a esse povo; não escolheu Esaú para esse mesmo papel e, mais tarde, julgou Edom. É isso que precisamos ter em mente para entender a frase sem atribuir a Deus o ódio caprichoso que conhecemos entre seres humanos.