Paulo não quis dizer que deixou de ser ele mesmo, nem que perdeu a vontade e passou a agir sem pensar. Ele quis dizer que sua antiga maneira de viver já não definia quem ele era. Agora, sua vida pertencia a Cristo, e era pela fé nele que Paulo vivia.
O contexto ajuda a entender por quê. Em Gálatas, Paulo explica que ninguém é aceito por Deus por conseguir cumprir perfeitamente a lei. É por meio de Jesus Cristo que somos recebidos por Deus (Gálatas 2:16). Por isso, quando Paulo diz que foi crucificado com Cristo, ele não está falando de uma morte física. Está dizendo que a morte de Jesus mudou sua relação com Deus: ele já não tentava conquistar a aceitação divina pelos próprios esforços. Sua esperança estava em Cristo, que morreu por ele.
Isso também mudou sua relação com o pecado. Em Romanos 6:6-11, Paulo explica que, unidos a Cristo, os cristãos já não precisam viver como escravos do pecado. Isso não significa que nunca mais pecam. Significa que o pecado não tem mais o direito de comandar sua vida. A pessoa continua tendo sua história, sua personalidade e suas responsabilidades, mas já não precisa viver como se Cristo não tivesse feito nada por ela.
E o que significa dizer que Cristo vive nele? Não é que Jesus substituiu Paulo como pessoa. É que Cristo, por meio do Espírito Santo, passou a transformar a maneira como ele pensava, desejava e agia. Paulo continuava vivendo sua vida diária, com suas decisões e dificuldades. Só que agora dependia de Jesus e procurava obedecer a ele. Gálatas 5:22-23 mostra como essa ação do Espírito aparece, aos poucos, em atitudes como amor, paciência e domínio próprio.
A parte final de Gálatas 2:20 mostra o que sustentava essa nova vida: Paulo vivia pela fé no Filho de Deus, que o amou e se entregou por ele. Assim, “já não sou eu quem vive” não quer dizer “eu não existo mais”. Quer dizer: “Minha vida já não gira em torno de tentar me salvar ou de seguir meus antigos caminhos. Pertenço a Cristo, confio no que ele fez por mim e aprendo a viver com ele.”