Sim, foi errado naquele momento — mas não porque ter um rei fosse proibido. O problema estava no que os israelitas queriam com aquele pedido: eles buscavam segurança num governante humano, como as outras nações faziam, em vez de confiar no Senhor.
Havia uma preocupação real por trás da decisão. Samuel já estava velho, e os filhos que ele havia colocado como juízes agiam de modo corrupto (1 Samuel 8:1-5). O povo precisava de uma liderança justa. Pedir uma solução pra isso não seria, por si só, errado. Mas os israelitas foram além: exigiram um rei que os julgasse e fosse à frente deles nas guerras, como acontecia entre as outras nações (1 Samuel 8:19-20).
Deus mostrou a Samuel o que havia por trás dessa exigência: o povo estava rejeitando o próprio Senhor como rei (1 Samuel 8:7). Isso não significava que Israel nunca poderia ter um governante humano. Significava que, naquela ocasião, o povo estava tratando um rei como a resposta que Deus não lhe daria. Por isso Samuel chamou o pedido de pecado, e os israelitas reconheceram que tinham agido mal (1 Samuel 12:17-19).
A distinção é importante. Muito antes, a lei de Deus já dizia o que fazer caso Israel estabelecesse um rei: ele deveria ser escolhido pelo Senhor e obedecer à sua lei (Deuteronômio 17:14-20). Deus também havia dito que reis viriam da família de Jacó (Gênesis 35:11). Portanto, a Bíblia não condena a existência de um rei em Israel. Ela condena a atitude daquele povo ao pedi-lo: queriam ser como as outras nações e confiar num rei pra lhes dar a segurança que deveriam buscar em Deus.
Mesmo depois disso, Deus não abandonou Israel. Ele permitiu que o povo tivesse um rei, mas também mandou Samuel avisar que um rei humano poderia cobrar caro pelo poder que receberia (1 Samuel 8:9-18). A lição, então, não é que toda liderança humana seja errada. É que nenhuma liderança deve tomar o lugar da confiança e da obediência que pertencem ao Senhor.