Sim, Deus fez uma promessa duradoura sobre aquela terra. Mas Deuteronômio 4:40 não diz que os israelitas poderiam viver nela sem obedecer a Deus, nem resolve sozinho como a promessa será cumprida no futuro.
A diferença aparece no próprio versículo. Moisés manda o povo obedecer aos mandamentos de Deus para que eles e seus filhos vivam bem e permaneçam por muito tempo na terra que Deus lhes dava. Ou seja, continuar vivendo ali dependia da obediência do povo. Isso fica ainda mais claro em Deuteronômio 28:63-64: Moisés avisa que a desobediência poderia levar Israel a ser tirado da terra e espalhado entre outras nações. Mais tarde, o exílio mostrou que esse aviso era sério.
Então por que a Bíblia também fala da terra como uma dádiva para sempre? Porque Deus já havia prometido aquela terra a Abraão e aos seus descendentes, e repetiu a promessa a Isaque e Jacó (Gênesis 17:7-8; 26:3; 28:13). A desobediência de uma geração podia trazer a perda da terra e o exílio, mas isso não significava, por si só, que Deus tivesse esquecido o que prometeu aos antepassados. O próprio Moisés falou da possibilidade de o povo voltar a Deus e ser reunido depois de ter sido espalhado (Deuteronômio 30:1-5).
A pergunta mais difícil é como entender o cumprimento definitivo dessa promessa. Cristãos que reconhecem a autoridade da Bíblia chegam a conclusões diferentes. Alguns entendem que a promessa ainda inclui uma posse futura da terra pelos descendentes de Israel. Outros entendem que ela encontra seu cumprimento maior em Cristo e na nova criação: a esperança do povo de Deus não terminaria numa região específica, mas numa terra renovada, onde Deus viverá com seu povo (Hebreus 11:13-16; Apocalipse 21:1-3). Romanos 11:25-29 também é importante nessa conversa, pois Paulo afirma que Deus não abandonou Israel, embora os cristãos discordem sobre o que isso significa para a posse futura da terra.
Portanto, a resposta mais cuidadosa é esta: Deus prometeu a terra a Israel, e chamou essa promessa de duradoura; ao mesmo tempo, deixou claro que a permanência do povo ali estava ligada à obediência. A Bíblia não permite tratar os exílios como prova de que Deus falhou, nem usar Deuteronômio 4:40, sozinho, pra definir todos os detalhes do futuro. E a promessa bíblica também não significa que toda decisão de um governo atual deva ser aprovada sem avaliação moral.