Israel se dividiu porque havia dois problemas ao mesmo tempo: Salomão se afastou de Deus, e seu filho Roboão se recusou a aliviar o peso que o povo carregava. A decisão de Roboão provocou a revolta; a infidelidade de Salomão explica por que a Bíblia apresenta essa divisão também como um julgamento de Deus.
Antes disso, as tribos de Israel tinham um só rei. Davi havia conseguido reuni-las, e seu filho Salomão herdou o reino unido. Mas, apesar de ter recebido muito de Deus, Salomão passou a seguir outros deuses e construiu lugares de culto pra eles. Por isso, Deus anunciou que tiraria a maior parte do reino da família de Salomão. Ainda assim, não acabaria com a descendência de Davi como reis: uma parte do reino permaneceria com ela, conforme relata 1 Reis 11:9-13.
A divisão aconteceu depois da morte de Salomão. Seu filho Roboão foi assumir o trono, e o povo lhe fez um pedido: que diminuísse o trabalho pesado e as exigências impostas durante o governo de seu pai. Era a oportunidade de começar seu reinado ouvindo as pessoas. Roboão, porém, rejeitou o conselho dos homens mais velhos, que recomendavam uma resposta favorável, e seguiu o conselho de jovens que lhe disseram pra agir com mais dureza. Ele anunciou que tornaria o peso ainda maior (1 Reis 12:1-15).
As tribos do norte então se recusaram a reconhecê-lo como rei e escolheram Jeroboão. Formaram o Reino do Norte, geralmente chamado de *Israel*. Roboão continuou governando o Reino do Sul, chamado de *Judá*, com as tribos de Judá e Benjamim (1 Reis 12:16-24). Jeroboão não apareceu de repente nessa história: antes da morte de Salomão, o profeta Aías já lhe havia anunciado que ele governaria dez tribos (1 Reis 11:29-39).
Então, a resposta tem esses dois lados. Do ponto de vista das decisões humanas, a divisão veio da insatisfação do povo e da dureza de Roboão. Do ponto de vista do relato bíblico, Deus permitiu que isso acontecesse como consequência da idolatria de Salomão. Uma coisa não elimina a outra: Roboão foi responsável pela resposta que deu, e Deus já havia anunciado o que aconteceria com o reino.
Depois da separação, Jeroboão teve medo de perder o apoio do povo se os israelitas continuassem indo a Jerusalém, no Reino do Sul, pra adorar a Deus. Por isso, estabeleceu centros de culto com bezerros de ouro no norte (1 Reis 12:26-33). Assim, além da divisão política, surgiu uma grave desobediência religiosa.
Israel nunca mais voltou a ser aquele reino unido sob um único rei como nos dias de Davi e Salomão. Mesmo assim, os profetas falaram da esperança de que Deus acabaria com a rivalidade entre Judá e Israel e reuniria seu povo (Isaías 11:12-13; Ezequiel 37:15-23). Cristãos entendem de maneiras diferentes como e quando todas essas promessas se cumprirão. O ponto claro é que a divisão não era aquilo que Deus desejava como destino final para o seu povo.