O Islã xiita é uma das duas principais correntes do Islã. A outra é o Islã sunita, seguido pela maioria dos muçulmanos. Os xiitas representam, aproximadamente, de 10% a 15% dos muçulmanos do mundo. A diferença entre as duas correntes começou com uma pergunta sobre liderança: quem deveria conduzir a comunidade muçulmana depois da morte de Maomé?
Os que deram origem à corrente xiita defendiam que a liderança cabia a Ali, primo e genro de Maomé, e depois a pessoas de sua família. É daí que vem o nome “xiita”, ligado à expressão “partidários de Ali”. Os sunitas, por sua vez, reconheceram os líderes que assumiram antes de Ali. Para eles, Ali foi o quarto califa, título dado ao líder da comunidade muçulmana naquele período.
Essa diferença não ficou só na história. Ela também influenciou a maneira como cada grupo entende a autoridade religiosa. Para os xiitas, Ali foi o primeiro *imã*, e seus sucessores legítimos tinham um papel especial na orientação dos fiéis. Entre os xiitas há grupos diferentes. O maior deles reconhece uma linha de doze imãs e crê que o último está oculto e voltará no futuro. Por isso, seus membros são chamados de “duodecimanos”, ou seguidores dos doze imãs. Outros grupos xiitas entendem essa sucessão de outra maneira.
Xiitas e sunitas compartilham crenças fundamentais do Islã: reconhecem o Alcorão como escritura sagrada, creem em um só Deus e consideram Maomé seu profeta. Mas dão autoridade a diferentes relatos sobre o que Maomé disse e fez, chamados *hadiths*. Isso também contribui pra diferenças em seus ensinamentos e costumes. Por exemplo, os xiitas duodecimanos mantêm as cinco orações diárias prescritas pelo Islã, mas costumam reunir algumas delas em três momentos do dia. Não é correto dizer simplesmente que fazem apenas três orações.
Há comunidades xiitas em vários países, especialmente no Oriente Médio. Elas são majoritárias, por exemplo, no Irã e no Azerbaijão, e têm forte presença no Iraque. Mas ser xiita não indica, por si só, uma posição política ou uma atitude diante da violência. Assim como não seria justo definir todos os sunitas pelas ações de um grupo extremista, também não seria justo fazer isso com os xiitas.
Do ponto de vista bíblico, é importante distinguir essa divisão *dentro do Islã* da diferença entre o Islã e a fé cristã. Xiitas e sunitas divergem, sobretudo, sobre a liderança e a autoridade religiosa depois de Maomé. Já a Bíblia apresenta Jesus de uma maneira que o Islã não aceita: como o Filho de Deus que morreu pelos nossos pecados, ressuscitou e é o único mediador entre Deus e as pessoas (1 Coríntios 15:3-4; 1 Timóteo 2:5). Portanto, conhecer o xiismo ajuda a entender melhor os muçulmanos, mas não muda o centro da mensagem cristã: a salvação por meio de Jesus Cristo (João 14:6; Atos 4:12).