Não há evidência de que a Páscoa cristã tenha vindo de uma festa dedicada a Ishtar. A dúvida aparece principalmente por causa de uma comparação entre o nome da deusa e a palavra *Easter*, que significa “Páscoa” em inglês. Mas a semelhança no som de duas palavras não prova que uma veio da outra.
Ishtar era uma deusa adorada na antiga Mesopotâmia, especialmente na Babilônia e na Assíria. Ela era associada, entre outras coisas, ao amor, à sexualidade e à guerra. Sua adoração fazia parte das religiões daqueles povos, não da fé cristã.
A origem da Páscoa cristã é outra. Jesus morreu e ressuscitou no período da Páscoa judaica, a festa que lembrava a libertação de Israel do Egito (Êxodo 12). Os primeiros cristãos entenderam a morte de Jesus à luz dessa história: Paulo o chamou de “nosso cordeiro pascal” (1 Coríntios 5:7). E a ressurreição de Jesus já era anunciada como parte central da fé cristã nas primeiras décadas depois de sua morte (1 Coríntios 15:3-8). Portanto, a ideia de que o imperador Constantino inventou a Páscoa cristã séculos mais tarde não corresponde ao que o Novo Testamento mostra.
Também ajuda separar o nome da festa daquilo que ela celebra. Em português, “Páscoa” vem de uma palavra ligada à Páscoa judaica. Em inglês, usa-se *Easter*, cuja história é diferente e discutida. Um escritor cristão do século VIII relacionou um antigo nome inglês para esse período do ano a uma deusa chamada Eostre. Mesmo que essa explicação para *Easter* esteja correta, Eostre não é Ishtar, e a origem de uma palavra inglesa não determina a origem da celebração cristã.
E os ovos e coelhos? São costumes associados à Páscoa em alguns lugares, mas não são a razão pela qual os cristãos celebram a data. Também não há boa evidência de que esses símbolos tenham sido herdados de uma festa de Ishtar. Quem quiser comemorar a Páscoa sem eles não perde nada do seu significado cristão.
Assim, a resposta é simples: Ishtar foi uma deusa da antiga Mesopotâmia; a Páscoa cristã celebra a ressurreição de Jesus. A ligação popular entre as duas se apoia numa semelhança entre nomes, não numa origem histórica demonstrada.