Nesse versículo, “mal” não significa pecado ou maldade moral. A palavra hebraica usada por Isaías também pode significar desgraça, calamidade ou desastre. É esse o sentido no contexto: Deus está dizendo que governa tanto os tempos de paz quanto os acontecimentos que trazem sofrimento e julgamento.
A própria frase ajuda a entender isso. Isaías coloca a paz de um lado e o “mal” do outro (Isaías 45:7). Se estivesse falando de maldade moral, esperaríamos um contraste com a bondade. Mas o contraste é entre paz e calamidade. Por isso, algumas traduções usam palavras como “desgraça” nesse trecho.
Isaías estava falando sobre Ciro, rei da Pérsia. Deus anunciou que usaria esse rei, embora Ciro não o conhecesse, para mudar o destino de nações e abrir caminho pra volta do povo de Israel à sua terra (Isaías 45:1-5; Esdras 1:1-3). A queda da Babilônia seria uma calamidade pra ela, mas permitiria a libertação dos israelitas. O ponto da passagem é que esses acontecimentos não estavam fora do controle de Deus.
Isso não quer dizer que Deus produza o pecado no coração das pessoas. A Bíblia diz que sua criação era boa (Gênesis 1:31) e que Deus não tenta ninguém a pecar (Tiago 1:13). Há uma diferença importante entre Deus trazer um julgamento — algo doloroso pra quem o recebe — e Deus praticar a maldade que condena.
Então, Isaías 45:7 não ensina que Deus criou a maldade moral. O versículo afirma que ele é Senhor também quando chegam tempos difíceis. No caso anunciado por Isaías, Deus usaria até a queda de um império pra cumprir o que havia prometido ao seu povo.