Ser irrepreensível não é ser perfeito ou nunca cometer um pecado. É viver de um jeito íntegro, sem manter práticas que deem às pessoas um motivo justo pra questionar seu caráter.
Paulo usa essa palavra ao falar de quem vai cuidar da igreja. Em 1 Timóteo 3:2 e Tito 1:6-7, ele diz que o presbítero — também chamado de bispo nesses textos — precisa ser irrepreensível. Em seguida, mostra como isso aparece na vida real: a pessoa deve ser fiel no casamento, equilibrada, hospitaleira e capaz de ensinar. Sua conduta precisa combinar com aquilo que ensina. Paulo também diz que os diáconos devem ser avaliados antes de servir e, se não houver nada contra eles, podem exercer essa função (1 Timóteo 3:10).
Isso não quer dizer que um líder cristão nunca precise reconhecer um erro e pedir perdão. Quer dizer que ele não pode viver num padrão de desonestidade, abuso, infidelidade ou outra prática que contradiga a fé que professa. É por isso que Paulo também se preocupa com a reputação dessa pessoa fora da igreja (1 Timóteo 3:7): seu caráter não deve aparecer só nas reuniões, mas no trato diário com os outros.
Também é importante não confundir uma acusação com uma falta comprovada. Até uma pessoa íntegra pode ser acusada injustamente. Ser irrepreensível não significa impedir que alguém fale mal dela; significa viver de modo que uma acusação verdadeira de má conduta não encontre fundamento.
Paulo apresenta a irrepreensibilidade como uma exigência pra quem assume responsabilidades na igreja, mas a integridade não é importante só pra líderes. Todos os cristãos são chamados a abandonar práticas erradas e viver de acordo com a nova vida em Cristo (Colossenses 3:7-10). Em poucas palavras, ser irrepreensível é levar uma vida coerente com a fé, mesmo sabendo que ainda precisamos reconhecer nossos erros e corrigi-los.