Essa prática se chama intinção. Em geral, a pessoa mergulha o pão no vinho ou no suco de uva e depois come o pão. A Bíblia não diz expressamente que isso é proibido, mas também não apresenta essa forma de servir a Ceia como uma instrução de Jesus. Nos relatos da última ceia, ele deu o pão e o cálice separadamente aos discípulos (Mateus 26:26-28; Lucas 22:19-20). Por isso, servir os dois elementos separadamente é a maneira mais fiel ao que esses relatos descrevem.
Essa diferença importa porque Jesus deu um significado a cada elemento. O pão lembra seu corpo entregue por nós; o cálice lembra seu sangue derramado. Paulo também fala da Ceia como comer o pão e beber do cálice (1 Coríntios 11:26-28). É por isso que alguns cristãos entendem que mergulhar o pão no vinho não segue tão bem as duas ações apresentadas no Novo Testamento.
Outros cristãos entendem que, mesmo com o pão mergulhado, a pessoa recebe os dois elementos e pode se lembrar do que ambos representam. A Bíblia não explica se recebê-los desse modo deixa de cumprir a orientação de Jesus. Assim, não há base clara pra dizer que toda Ceia servida por intinção é inválida. Ao mesmo tempo, também não há motivo bíblico pra afirmar que ela é a forma correta ou preferível.
Às vezes se menciona João 13:26, onde Jesus molha um pedaço de pão e o entrega a Judas. Mas aquela passagem não está ensinando como celebrar a Ceia. Jesus molha o pão num prato, e o gesto faz parte da conversa sobre quem o trairia; não se trata de pão mergulhado no cálice.
Portanto, se uma igreja quer seguir o exemplo descrito com mais clareza nas Escrituras, o caminho mais simples é servir o pão e o cálice separadamente. Mas a forma de servir não deve fazer a igreja perder de vista o principal: na Ceia, os cristãos se lembram da morte de Jesus, anunciam o que ele fez e participam com respeito e discernimento (1 Coríntios 11:26-29).