Internalismo e externalismo são duas maneiras de responder a uma pergunta: o que faz uma crença ser razoável? A diferença está no lugar onde cada visão procura a justificativa da crença.
Imagine que você olha pela janela e diz: “Está chovendo”. Você acredita nisso porque vê a chuva. Mas suponha que, sem você saber, o vidro da janela seja uma tela mostrando uma gravação. Sua conclusão seria compreensível: você teria um motivo pra acreditar nela. Ao mesmo tempo, aquilo que produziu sua crença não seria uma forma confiável de descobrir como está o tempo naquele momento.
É aí que as duas visões dão respostas diferentes:
- O internalismo dá importância às razões que a pessoa tem e pode reconhecer. Se, pelo que ela consegue perceber e avaliar, há bons motivos pra acreditar em algo, sua crença pode ser justificada mesmo que ela tenha sido enganada sem saber.
- O externalismo dá importância também a algo que a pessoa talvez não consiga perceber: se a maneira pela qual chegou à crença é, de fato, confiável. Ver a chuva pela janela costuma ser uma boa maneira de saber que está chovendo; ver uma gravação, não.
Isso não significa que o internalista ache que basta acreditar com força em alguma coisa, nem que o externalista só considere justificada uma crença verdadeira. Uma crença pode ser falsa e, ainda assim, ter boas razões a seu favor. A discussão é sobre o que conta como uma boa razão: aquilo a que a pessoa tem acesso ao pensar no assunto, ou também fatores confiáveis que estão fora dessa avaliação consciente.
Aqui, a palavra *justificação* significa ter fundamento pra uma crença. Não é a justificação diante de Deus, ligada à salvação, da qual o Novo Testamento fala, por exemplo, em Romanos 3:24-26.
E o que a Bíblia diz sobre esse debate? Ela não apresenta uma teoria chamada internalismo ou externalismo. Por isso, não seria correto dizer que uma das duas posições é, por si só, “a posição bíblica”. Há, porém, ensinamentos que ajudam a pensar com cuidado. Romanos 14:5, 23 mostra a importância de agir de acordo com a própria convicção diante de Deus. Já Provérbios 14:12 lembra que uma pessoa pode achar que está no caminho certo e, mesmo assim, estar enganada. Nenhuma dessas passagens resolve sozinha a questão filosófica: a primeira trata da consciência ao agir; a segunda alerta sobre a possibilidade de errarmos.
Em resumo, o internalismo pergunta: “Que razões a pessoa tem pra crer nisso?” O externalismo pergunta também: “A maneira como ela chegou a essa crença é confiável, mesmo que ela não saiba avaliar isso?” A distinção nos ajuda a lembrar que estar sincero e ter bons motivos, do nosso ponto de vista, nem sempre é o mesmo que ter chegado à verdade.