O Antigo Testamento menciona instrumentos de sopro, de percussão e de cordas. Alguns eram usados pra acompanhar canções e festas. Outros serviam principalmente pra reunir o povo, anunciar uma guerra ou dar um sinal. Por isso, nem toda “trombeta” mencionada na Bíblia fazia o mesmo trabalho.
A primeira referência a músicos aparece bem cedo: Gênesis 4:21 chama Jubal de antepassado dos que tocavam harpa e flauta. Isso mostra que a música já fazia parte da vida das pessoas antes do dilúvio. O texto, porém, não diz que Jubal inventou esses instrumentos.
Entre os instrumentos de sopro, havia flautas ou tubos. Eles aparecem em momentos de alegria, como a celebração da chegada de Salomão ao trono (1 Reis 1:40), mas também podiam ter um som associado ao lamento (Jeremias 48:36). As traduções variam entre “flauta”, “tubo” e outros nomes, porque não sabemos exatamente como eram todos esses instrumentos antigos.
Havia também dois tipos importantes de instrumento usados pra dar sinais. Um era o shofar, feito de chifre de animal. Seu som podia convocar pessoas, anunciar perigo ou acompanhar uma celebração. Em Josué 6, por exemplo, sacerdotes tocaram chifres durante os acontecimentos em Jericó. O outro tipo eram as trombetas de prata que Deus mandou Moisés fazer. Elas serviam pra reunir a comunidade, orientar a partida dos acampamentos, dar o alarme em caso de guerra e marcar ocasiões especiais (Números 10:1-10). Embora algumas traduções usem “trombeta” pros dois, um chifre de animal e uma trombeta de prata não eram o mesmo instrumento.
Na percussão, aparecem pandeiros ou tamborins e címbalos. Miriã e outras mulheres tocaram pandeiros depois que os israelitas atravessaram o mar (Êxodo 15:20). Os címbalos, tocados uns contra os outros, são mencionados entre os instrumentos usados pelos músicos na adoração a Deus (1 Crônicas 15:16, 19). Em 2 Samuel 6:5 aparece ainda o nome de um instrumento cuja identificação é incerta; algumas traduções o chamam de castanholas. Os pequenos sinos presos à roupa do sumo sacerdote Arão também são descritos na Bíblia, mas faziam parte de suas vestes, não de um conjunto musical (Êxodo 28:33-35).
Entre os instrumentos de cordas, os mais citados são os que costumamos chamar de harpas e liras. Davi tocava um instrumento de cordas pra Saul (1 Samuel 16:23), e os salmos convidam o povo a louvar a Deus com instrumentos desse tipo (Salmo 33:2; 150:3-4). O Salmo 33:2 menciona um instrumento de dez cordas. Não é possível, porém, identificar cada modelo antigo com uma harpa ou lira moderna. Por isso, o nome dado ao mesmo instrumento pode mudar de uma tradução bíblica pra outra.
O livro de Daniel acrescenta outros nomes à lista. Em Daniel 3, vários instrumentos tocam quando as pessoas são chamadas a se curvar diante da estátua erguida por Nabucodonosor. As traduções mencionam instrumentos como cítara, harpa e flauta, mas a forma exata de alguns deles continua discutida. A cena também lembra um ponto importante: a Bíblia não diz que todo uso de instrumentos era adoração a Deus. Naquele caso, a música acompanhava uma ordem pra adorar uma imagem.
Assim, dá pra reconhecer os principais tipos de instrumentos do Antigo Testamento, mesmo sem saber a aparência exata de cada um. Eles faziam parte de festas, lamentos, avisos ao povo e momentos de louvor. O que mudava era a ocasião — e, acima de tudo, a quem aquela música era dirigida.