Em Romanos 6:13, Paulo está dizendo que a fé em Jesus deve aparecer no que fazemos com o nosso corpo. Podemos usar as mãos, a boca, os olhos e tudo o mais pra servir ao pecado ou pra fazer o que agrada a Deus. Oferecer nossos membros como instrumentos de justiça é escolher usá-los pra obedecer a Deus e fazer o bem.
“Membros” são as partes do corpo. Paulo não está falando apenas do que pensamos ou sentimos, embora isso também importe. Ele fala do corpo porque é por meio dele que nossas escolhas se tornam ações: com a boca, podemos mentir ou dizer a verdade; com as mãos, podemos prejudicar alguém ou ajudá-lo; com os olhos, podemos alimentar desejos errados ou desviar deles. O corpo não é o problema. A questão é a quem estamos entregando nossas ações.
Paulo explica o motivo dessa escolha no mesmo versículo: devemos nos oferecer a Deus como pessoas que passaram da morte pra vida. Em Romanos 6, essa expressão fala da nossa nova vida com Cristo. Jesus morreu e ressuscitou; quem pertence a ele já não precisa viver sob o domínio do pecado (Romanos 6:4-6). Isso não quer dizer que o cristão nunca mais peque. Quer dizer que o pecado não deve mais mandar na sua vida (Romanos 6:12, 14).
Por isso, Paulo apresenta dois lados da mesma decisão. Não basta evitar uma atitude errada; também podemos usar aquela mesma capacidade pra fazer o bem. Em vez de usar a boca pra espalhar uma mentira, dizemos a verdade. Em vez de usar as mãos pra tirar vantagem de alguém, nós as usamos pra trabalhar honestamente e ajudar. É assim que nosso corpo se torna um “instrumento de justiça”: ele é usado pra fazer o que é certo diante de Deus.
Essa mudança não é uma tentativa de conquistar a aceitação de Deus por esforço próprio. Paulo parte do que Cristo fez por nós e, então, nos chama a viver de acordo com essa nova vida. Com a ajuda do Espírito Santo, podemos recusar o pecado e escolher obedecer a Deus, inclusive nas decisões comuns de cada dia (Romanos 8:12-13).
Em resumo, oferecer nossos membros a Deus é dizer com as nossas escolhas: “Minha vida pertence a ele”. E deixar que isso apareça no modo como falamos, agimos e tratamos as pessoas.