Pastor Antônio Junior

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O que foram as Inquisições?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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As Inquisições foram tribunais criados para investigar e punir pessoas acusadas de contrariar os ensinamentos da Igreja Católica. Não houve uma única Inquisição, nem todas funcionaram do mesmo jeito. Em épocas e lugares diferentes, autoridades da Igreja e governantes participaram desses tribunais para tentar manter a unidade religiosa. As penas podiam incluir penitências, prisão e, nos casos mais graves, a entrega do condenado às autoridades civis, que podiam executá-lo.

Para entender como isso aconteceu, é importante lembrar que religião e governo estavam muito ligados em boa parte da Europa medieval. Uma crença considerada errada pela Igreja não era vista apenas como uma questão de fé: muitas autoridades também a tratavam como uma ameaça à ordem pública. Isso não justifica as punições, mas ajuda a explicar por que governantes apoiavam os tribunais.

As primeiras inquisições organizadas surgiram na Idade Média, especialmente a partir do fim do século XII. No século XIII, o papado passou a nomear inquisidores para investigar grupos considerados hereges. Mais tarde, em 1252, o papa Inocêncio IV autorizou o uso da tortura em determinadas investigações. As práticas variavam, mas houve prisões, tortura e condenações à morte.

A Inquisição Espanhola, autorizada em 1478, tinha uma característica importante: era controlada principalmente pelos reis da Espanha. Ela investigou, entre outros, judeus e muçulmanos convertidos ao cristianismo que eram suspeitos de manter suas antigas práticas religiosas. Também julgou protestantes em certos períodos. A Inquisição Portuguesa, estabelecida em 1536, perseguiu especialmente pessoas convertidas do judaísmo suspeitas de continuar praticando sua religião. Sua atuação chegou aos territórios portugueses fora da Europa, inclusive a Goa, na Índia.

Houve ainda a Inquisição Romana, criada em 1542 sob a autoridade do papa para defender os ensinamentos católicos, num período de forte conflito com a Reforma Protestante. Foi esse tribunal que julgou Galileu, em 1633, por defender que a Terra se move ao redor do Sol. A instituição responsável por questões doutrinárias no Vaticano passou por mudanças ao longo dos séculos; hoje recebe o nome de Dicastério para a Doutrina da Fé. Isso não significa que ela continue funcionando como os tribunais inquisitoriais do passado.

Os números de julgados e executados são difíceis de estabelecer com precisão e variam conforme o lugar e o período. Por isso, é melhor não tratar estimativas muito altas, como as apresentadas no artigo de referência para a Inquisição Espanhola, como fatos confirmados.

Do ponto de vista bíblico, é importante separar duas coisas. O Novo Testamento orienta a igreja a ensinar a verdade, corrigir erros e, quando alguém persiste em não ouvir, afastá-lo da comunhão da igreja (Mateus 18:15-17; Tito 3:10-11). Mas não dá à igreja a tarefa de torturar ou matar pessoas por causa de suas crenças. Ao falar de como seus seguidores deveriam lidar com a oposição, Jesus rejeitou a violência (Lucas 9:54-55). E Pedro ensinou os cristãos a defender sua esperança com mansidão e respeito (1 Pedro 3:15).

Assim, as Inquisições fazem parte da história de instituições cristãs, mas seus métodos violentos não devem ser confundidos com a maneira que Jesus ensinou seus seguidores a tratar as pessoas.