Naum está descrevendo uma atrocidade de guerra, não uma ordem de Deus. Os bebês mencionados eram de Tebas, uma cidade do Egito que havia sido conquistada. O profeta conta que pessoas foram levadas como prisioneiras, líderes foram sorteados entre os vencedores e crianças pequenas foram mortas (Naum 3:10). O texto diz o que aconteceu, mas não explica o motivo específico pelo qual os soldados mataram os bebês.
O motivo de Naum mencionar Tebas é uma comparação. Ele está anunciando o julgamento de Nínive, capital da Assíria, e pergunta, em outras palavras: “Se Tebas caiu, por que Nínive acha que não pode cair?” Tebas era uma cidade poderosa e tinha aliados, mas nada disso impediu sua derrota (Naum 3:8-10).
A Assíria havia conquistado Tebas. Naum, então, lembra a Nínive a violência ligada àquela conquista e avisa que sua própria força não a protegeria. O profeta chama Nínive de cidade cheia de sangue e, no fim do livro, fala da crueldade que outros povos sofreram nas mãos dela (Naum 3:1, 19).
Isso não significa que os bebês merecessem morrer, nem que Deus aprovasse sua morte. Relatar uma crueldade não é justificá-la. Naum não apresenta aquelas crianças como culpadas; ele mostra como uma cidade derrotada sofreu nas mãos dos vencedores. E, ao anunciar o julgamento de Nínive, deixa claro que a violência dos poderosos não ficaria sem resposta.
Portanto, a resposta mais honesta é esta: os bebês foram mortos durante a conquista de Tebas, mas Naum não informa por que os soldados fizeram isso. O ponto da passagem é mostrar a brutalidade daquela derrota e advertir Nínive de que ela também poderia ser derrotada.