Depende do que queremos dizer com *individualismo*. Se a ideia é que cada pessoa tem valor e precisa responder por suas escolhas, a Bíblia concorda. Mas, se é viver como se as próprias vontades fossem mais importantes do que as necessidades dos outros, ela ensina o contrário.
A Bíblia diz que todo ser humano foi criado à imagem de Deus (Gênesis 1:27). Por isso, ninguém deve ser tratado como descartável por ser pobre, doente, idoso ou por não conseguir contribuir tanto quanto outras pessoas. Jesus mostrou esse cuidado ao se aproximar de gente que muitos evitavam, como o homem possuído por demônios que vivia isolado (Marcos 5:1-20). O valor de uma pessoa não depende da utilidade que ela tem pra um grupo.
Ao mesmo tempo, cada um responde a Deus pelo que faz. Ezequiel 18:20 ensina que uma pessoa não carrega a culpa de outra. Essa responsabilidade também significa que não podemos fazer algo errado só porque muita gente aprova. Quando as autoridades ordenaram aos apóstolos que parassem de anunciar Jesus, eles entenderam que precisavam obedecer a Deus, mesmo contrariando aquela ordem (Atos 5:27-29).
Mas responder pessoalmente a Deus não é uma licença pra pensar só em si. Paulo ensina os cristãos a não buscarem apenas os próprios interesses, mas também os interesses dos outros (Filipenses 2:3-4). Na primeira comunidade cristã, quem tinha recursos ajudava quem passava necessidade (Atos 4:32-35). A fé deles não apagava as diferenças entre as pessoas; ela os levava a cuidar uns dos outros.
Então a Bíblia não nos pede que escolhamos entre “o indivíduo sempre vem primeiro” e “o grupo sempre vem primeiro”. Ela nos chama a valorizar cada pessoa e amar o próximo, sem deixar que a pressão dos outros nos faça desobedecer a Deus. O cristão não deve viver apenas pra si, mas também não deve tratar ninguém — nem a si mesmo — como alguém sem valor.