Ela deve ser bem-vinda ao culto, mas não é apropriado colocá-la como integrante regular do grupo que conduz a igreja em louvor. A diferença está no papel de cada um. Quem visita uma igreja pode ouvir, cantar e conhecer a mensagem cristã, mesmo sem ter fé. Já o grupo de louvor assume publicamente a tarefa de ajudar a congregação a cantar aquilo em que crê.
Isso não quer dizer que um descrente seja incapaz de tocar bem uma música cristã ou de cantar sua letra com respeito. Quer dizer que conduzir o louvor da igreja envolve mais do que executar uma música. As canções costumam ser orações, declarações de confiança em Deus e agradecimentos a Jesus. Quando alguém as apresenta à frente da congregação como parte da equipe, passa a impressão de que também faz suas aquelas palavras. Se a pessoa diz que não crê nelas, há uma incoerência que a igreja não precisa criar.
A Bíblia liga a adoração à fé sincera. Jesus disse que o Pai procura pessoas que o adorem em espírito e em verdade (João 4:23-24). E, ao falar das canções da igreja, Paulo mostra que elas não servem apenas pra produzir um som bonito: por meio delas, os cristãos também ensinam e encorajam uns aos outros (Colossenses 3:16). Por isso, na escolha de quem conduz o canto, a habilidade musical importa, mas não pode ser o único critério.
É bom ser cuidadoso com o que essas passagens permitem concluir. A Bíblia não traz uma regra específica dizendo quem pode tocar guitarra, teclado ou cantar num grupo de louvor. Também não seria justo chamar automaticamente de hipócrita toda pessoa sem fé que canta um hino. Alguém pode estar ouvindo, tentando entender a fé ou até buscando a Deus. O problema aqui é mais específico: convidar uma pessoa que declara não crer em Cristo pra exercer, de modo regular, uma função pública de condução da adoração cristã.
Isso não impede a igreja de acolher essa pessoa, cultivar uma amizade com ela e conversar sobre Jesus sem tratá-la apenas como uma musicista útil. Se ela é muito talentosa, esse talento pode ser apreciado sem que se peça a ela pra representar, no culto, uma fé que ainda não possui.
Portanto, a decisão mais coerente é manter o grupo de louvor formado por pessoas que professam a fé que estão ajudando a igreja a expressar. E fazer isso sem desprezar quem não crê: a porta do culto deve continuar aberta pra essa pessoa ouvir, participar como visitante e conhecer melhor a Cristo.