Daniel não achava que Deus tivesse dificuldade pra ouvir. Ele usou uma maneira de falar comum nas orações da Bíblia: pediu que Deus desse atenção à sua súplica e agisse. O que Daniel queria era que Deus olhasse com compaixão pra Jerusalém e pro seu povo, depois de muitos anos de exílio.
Daniel tinha lido no livro de Jeremias que a desolação de Jerusalém duraria setenta anos (Daniel 9:2; Jeremias 25:11-12). Ao perceber que esse período estava chegando ao fim, ele orou. Não porque duvidasse da promessa de Deus, mas porque desejava vê-la cumprida. Sua oração mostra que confiar no que Deus prometeu não nos impede de pedir a ele que faça o que disse que faria.
Antes de pedir pela restauração, Daniel confessou os pecados do povo. Ele não tratou o exílio como uma injustiça: reconheceu que o povo havia desobedecido e que Deus tinha sido justo ao permitir aquele sofrimento (Daniel 9:5-14). Por isso, quando pediu que Deus ouvisse, Daniel deixou claro que não estava apelando aos méritos de Israel. Seu pedido se apoiava na grande misericórdia de Deus (Daniel 9:18).
Daniel também se preocupava com o estado de Jerusalém e do santuário, que estavam em ruínas. Ele pediu que Deus agisse por amor ao seu próprio nome, pois Jerusalém e o povo eram conhecidos como pertencentes a ele (Daniel 9:16-19). Em outras palavras, Daniel não estava dizendo: “Nós merecemos voltar.” Ele estava pedindo: “Tem misericórdia de nós e cumpre o que prometeste.”
Deus ouviu a oração. Enquanto Daniel ainda orava, Gabriel veio lhe trazer uma resposta (Daniel 9:20-23). O pedido pra Deus “inclinar os ouvidos” não significava, portanto, que Daniel precisasse chamar a atenção de um Deus distraído. Era a súplica humilde de alguém que conhecia a promessa divina, reconhecia o pecado do povo e dependia inteiramente da misericórdia do Senhor.