Impor as mãos é um gesto que aparece várias vezes na Bíblia. Ele podia acompanhar uma oração por alguém doente, uma bênção ou a escolha de uma pessoa pra servir na igreja. Mas o gesto não tem poder por si só. É Deus quem cura, dá o Espírito Santo e capacita as pessoas pra servi-lo.
Jesus, por exemplo, pôs as mãos sobre pessoas que curou (Lucas 4:40). Em outra ocasião, porém, curou o servo de um oficial romano sem ir até a casa dele nem tocar nele (Mateus 8:5-13). Isso já mostra que o toque não era uma condição pra cura.
A mesma distinção aparece no livro de Atos. Em Éfeso, Paulo pôs as mãos sobre alguns discípulos, e eles receberam o Espírito Santo (Atos 19:1-6). Já na casa de Cornélio, o Espírito Santo veio sobre as pessoas enquanto Pedro ainda falava, sem que ele lhes impusesse as mãos (Atos 10:44-46). Portanto, não dá pra dizer que alguém só pode receber o Espírito mediante esse gesto.
A imposição de mãos também aparece quando pessoas são separadas pra uma tarefa. A igreja orou e pôs as mãos sobre Barnabé e Saulo antes de enviá-los (Atos 13:2-3). Nesse caso, o gesto tornava visível o apoio da igreja àqueles homens e à missão que iam cumprir. Por isso, quando Paulo orienta Timóteo a não impor as mãos precipitadamente sobre ninguém, a advertência é entendida, nesse contexto, como um cuidado pra não confiar uma responsabilidade na igreja a alguém sem antes avaliar essa pessoa (1 Timóteo 5:22).
Assim, é bíblico impor as mãos, especialmente como parte de uma oração ou do reconhecimento público de alguém pra servir. Mas a Bíblia não ensina que seja preciso fazer isso em toda oração, cura ou ocasião em que Deus age. Podemos usar o gesto com respeito, sem tratá-lo como uma fórmula que obriga Deus a agir.