O Império Romano governava a terra de Israel quando Jesus nasceu, foi crucificado e ressuscitou. Por isso, Roma aparece em momentos decisivos do Novo Testamento. Suas decisões afetaram a vida de Jesus e dos primeiros cristãos. Ao mesmo tempo, as estradas e as cidades ligadas pelo império ajudaram a mensagem sobre Jesus a chegar a muitos povos.
Quando começa o Novo Testamento, os judeus não governavam livremente sua terra. Roma exercia o poder por meio de governantes locais, como Herodes, e de autoridades romanas, como Pôncio Pilatos. Os judeus podiam manter muitas de suas práticas religiosas, mas viviam sujeitos ao domínio romano.
Foi uma ordem do imperador Augusto que levou José e Maria de Nazaré a Belém para um recenseamento. Lucas conta que Jesus nasceu enquanto eles estavam ali (Lucas 2:1-7). Isso chama a atenção porque o profeta Miqueias havia associado Belém ao futuro governante de Israel (Miqueias 5:2). O decreto de Augusto tinha um objetivo político e administrativo; no relato bíblico, porém, ele também faz parte das circunstâncias em que Jesus nasce na cidade anunciada pelo profeta.
Roma também teve um papel direto na morte de Jesus. As lideranças religiosas que o acusaram o entregaram a Pilatos, o governador romano. Pilatos autorizou sua crucificação, uma forma de execução usada pelos romanos (João 18:28–19:16). Assim, não seria correto dizer que Roma apenas assistiu aos acontecimentos, nem colocar a responsabilidade pela morte de Jesus sobre o povo judeu como um todo. Os Evangelhos mostram a participação de autoridades específicas; e, do ponto de vista cristão, a morte de Jesus faz parte do propósito de Deus de salvar pecadores (Atos 2:23).
Depois da ressurreição, o mesmo império que havia executado Jesus ofereceu, sem essa intenção, meios para a expansão do evangelho. Suas estradas ligavam cidades distantes, e as viagens por várias regiões eram possíveis sob uma administração comum. Além disso, o grego era muito usado na parte oriental do império, o que ajudava pessoas de povos diferentes a se comunicar. Paulo e outros cristãos viajaram, ensinaram e formaram comunidades em cidades ligadas por esse mundo romano, como Filipos, Corinto e Éfeso (Atos 16–19).
Isso não quer dizer que Roma apoiava a igreja. O próprio Paulo foi preso e interrogado por autoridades romanas. Em algumas situações, sua cidadania romana lhe deu direitos que ele pôde exigir, como proteção contra açoites sem julgamento e a possibilidade de apelar ao imperador (Atos 22:25-29; 25:10-12). Em outras, autoridades romanas cederam a pressões políticas. E os cristãos também sofreriam perseguição por parte do império; a perseguição de Nero, após o incêndio de Roma em 64 d.C., é um exemplo conhecido.
Há ainda um acontecimento importante depois do período narrado nos Evangelhos: em 70 d.C., o exército romano destruiu Jerusalém e o templo. Jesus havia anunciado que o templo seria destruído (Lucas 21:5-6). Essa perda mudou profundamente a vida religiosa dos judeus.
Então, qual foi o significado de Roma na história bíblica? Ela foi o poder político sob o qual Jesus viveu e morreu. Uma ordem romana está ligada às circunstâncias de seu nascimento; uma autoridade romana autorizou sua crucificação; e as ligações entre as cidades do império ajudaram os primeiros cristãos a anunciar o evangelho. A Bíblia não apresenta Roma como uma nação que servia a Deus por vontade própria. Ela mostra que Deus cumpriu seus propósitos mesmo em meio às decisões, aos interesses e às injustiças de um império humano.